PRINCÍPIOS
FUNDAMENTAIS
A Fraternidade se apóia
ESPÍRITO:
1. Fraternidade fundamenta-se no Espírito da Fraternidade Evangélica.
Esse espírito deve ser vivido na prática. É por isso que o Princípio seguinte diz a QUEM a fraternidade se dirige.
A QUEM?
COMO? Ela indica como atua:
PARA QUE? A Fraternidade expressa SEUS OBJETIVOS:
A Fraternidade possui um Espírito – ela não pode propagar-se e manter-se senão com um mínimo de estrutura. À essa alma, é necessário dar UM CORPO. Portanto:
AINIMAÇÃO:
Nota: Baseado no livreto “Levanta-te e Anda” de Henri François (1983).
“A Fraternidade nunca diz: não há mais nada a fazer... pois ela
acredita que sempre existe alguma coisa a ser feita por cada pessoa... ela tira
o doente e ou deficiente de seu isolamento e inatividade, capacitando-o para
participar de tudo o que existe para sua promoção pessoal”. (Levanta-te e Anda –
Pe. François)
DADOS
BIOGRÁFICOS DO FUNDADOR
Fundador Henri François, nasceu em Verdun, Franca, em 8 de maio de 1897. Sua principal tarefa, na infância, era “estar doente”. Ao ingressar no Seminário, tinha uma hora de aula pela manhã e uma pela tarde, o resto do tempo – cama, curtindo uma doença incurável – tuberculose – acrescida de cardiopatia.
Em 19/06/1922 e ordenado Padre em triste estado de saúde, momento em que experimentou: isolamento, solidão, marginalização mesmo por parte da Igreja, pois que o devolveram à família para que o cuidasse, pensando no seu fim, experimentou o sentimento de inutilidade.
Disse o Bispo: “Vou ordená-lo Padre, para que possa celebrar umas Missas antes de morrer”.
Recuperando um pouco a saúde junto à sua família, apresentou-se ao Vigário e colocou-se a serviço, e o Vigário perguntou-lhe: “O que poderás fazer?... VÁ VISITAR DOENTES!” – Tal foi o início do caminho da Providência. Foi pela doença e visita aos doentes que François lançou a semente da Fraternidade.
Não morreu; sua saúde melhora..., e intensifica as visitas aos doentes e pessoas com deficiências, conseqüência da grande guerra.
“Sou da opinião de que esta experiência me preparava para a Fraternidade”, diz François. Capelão de um hospital e impedido de visitar os doentes, convoca três pessoas com deficiência por ele visitados, para que o substituíssem nas visitas.
Em 6 de julho de 1942, acontece a primeira reunião, no hospital, com três limitadas físicas. Seguiram-se outras reuniões, sempre com mais participantes, até o Retiro de 13 à 17 de junho de 1945. No último dia deste eram mais de 100 pessoas, com a participação de muitos voluntários (colaboradores).
Pelo que de fantástico, em termos de VIDA lá aconteceu, por unanimidade decidiriam se encontrar novamente, e estava FUNDADA A FRATERNIDADE, movimento de evangelização de “leigo para leigo”.
O movimento se espalhou rapidamente.
François passou a dedicar a vida, com extraordinária bondade e disponibilidade à FCD, sendo seus prediletos, os mais pobres. Aos 89 anos, usava uma cadeira de rodas para se movimentar, ficando muito tempo acamado. Faleceu em 3 de fevereiro de 1986, sem se queixar, sem se amargurar pela dependência em uma cama e com fortes dores gástricas. Foi de uma vida interior profunda – “Homem naturalmente sobrenatural”.
A última frase de François foi:
“EU ME ALEGRO

Primeira reunião 1945
UM POUCO DE HISTÓRIA
A FCD – Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência é um movimento internacional e ecumênico de Apostolado Leigo, de natureza promocional, no qual os próprios doentes e deficientes assumem sua direção e se encarregam de sua difusão.
Surgiu na década de 40, na França, por inspiração e dedicação de Monsenhor Henri François, como resposta concreta à situação de vida dos doentes e deficientes existentes, que se encontravam marginalizados da sociedade, quer como mutilados de guerra, quer como vítimas de pestes, epidemias e outros males.
Chegou ao Brasil em 1972,
através de um seminarista Vicente Masip jesuíta, iniciando um primeiro núcleo
Envolve em sua atividade evangelizadora pessoas doentes e/ou com deficiência, colaboradores, membros de congregações religiosas, clero diocesano, pastores de igrejas, irmãs e agentes pastorais.
Plenamente consciente da marginalização dos doentes e/ou pessoas com deficiência, dentro de uma sociedade com acentuadas injustiças e discriminações, afirma seu espírito de serviço juntamente com este grupo de pessoas, fundamentando seu trabalho na Fraternidade Evangélica, dirigindo-se a todos indistintamente.
Em 1983, durante a V Assembléia Nacional, realizada no Rio de Janeiro, percebeu-se que era necessário “mais vida e menos estrutura” para que o movimento pudesse ter o dinamismo e o comprometimento desejado.
Dessa forma, neste e no ano seguinte, foram estudados, por todos os núcleos e regionais do Brasil, os princípios fundamentais da FCD. Com esse material foi elaborado um primeiro esboço de documento, cuja redação não satisfazia os objetivos de expressar com clareza a situação vivida pela FCD no País.
Na VI Assembléia Nacional de Minas Gerais, em 1985, decidiu-se aprofundar mais a situação, retornando o material elaborado aos núcleos para se trabalhar sobre o mesmo, e procurando envolver nesse processo, algum teólogo, dentro de uma linha mais libertadora.
Isso começou no Comitê Nacional de 1986, que contou com a participação de Frei Carlos Mesters. Imediatamente após, um grupo tornou a reunir-se com Frei Carlos, durante um fim de semana, elaborando-se uma estratégia para concluir a redação do documento para ser discutido e aprovado na VII Assembléia Nacional.
Dessa forma, uma nova redação
foi elaborada, retornando-se às bases
Desses encontros surgiu uma nova redação executada pela Equipe do Rio Grande do Sul e após algumas complementações e simplificações executadas pela Equipe Nacional, foi o texto proposto a discussão, debate e aprovação na VII Assembléia Nacional realizada em fevereiro de 1988 em Cuiabá (MT). Nessa Assembléia, o texto foi subdividido em partes e distribuído aos grupos, que leram, refletiram, suprimiram, acrescentaram e debateram todos os tópicos do documento, votando-se item por item, tendo como resultado o Documento Base da FCD.
Foram mais de cinco anos de aprofundamento, debates, discussões e muito trabalho, envolvendo todos os membros da FCD, desde o mais longínquo dos núcleos até o mais respeitável dos participantes. Foi um Documento elaborado a mil mãos, democraticamente, procurando expressar a vida da fraternidade e a missão da FCD neste momento da história – 1ª Edição.
Na X Assembléia Nacional, 1997
Na Bahia em 1998,
Na XIII Assembléia Nacional em março de 2006, em Jundiaí/SP, colhidas as sugestões dos três comitês interestaduais, a Assembléia discutiu e aprovou mudanças no V Capítulo, do DB – 4ª edição.
I – DEUS E O
POVO NOS CHAMAM
1
– A Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência (FCD) – Movimento leigo
ecumênico de doentes e/ou pessoas com deficiência – sente-se chamada a servir
ao Reino de Deus, identificada com a missão evangelizadora que Cristo anunciou:
“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção, para
anunciar a boa notícia aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos
presos, e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para
proclamar um ano de graça do Senhor” (Lc 4, 18-19). A partir desta perspectiva
evangelizadora, a FCD se solidariza com todos os marginalizados e excluídos da
sociedade.
2
– A FCD, como a Igreja, faz parte do Povo de Deus peregrino na história, e quer
ser luz, sal e fermento no mundo. Como parte do povo, vai tomando consciência
cada vez mais clara da sua dimensão profética, isto é, o desafio de ter uma visão
da pessoa humana, recuperando seus valores fundamentais: amor à vida,
gratuidade de relacionamento, partilha de bens entre pessoas doentes, deficientes
e não doentes e não deficientes; acolhida da pessoa por ser gente e não pela
sua produção ou lucro; superação da discriminação, ultrapassando o egoísmo.
Anuncia, assim, o Senhor e o seu Reino, e denúncia tudo que maltrata o ser
humano, imagem e semelhança de Deus.
3
– A FCD, animada pelo espírito de gratuidade, organiza-se e toma consciência da
missão que lhe cabe: ajudar às pessoas e descobrir-se e amarem-se como elas são
a re-situar-se na família; a integrar-se na comunidade e na sociedade,
contribuindo para a transformação do atual estado de coisas, em vista de uma
nova ordem social, onde o doente, deficiente e todos os marginalizados e
excluídos, sejam acolhidos como parceiros na construção de um mundo de irmãos.
4 – Para isso, a FCD sabe que sua missão
evangelizadora “não seria completa se não levasse em conta as relações que
existem entre a mensagem do evangelho e a vida pessoal e social das pessoas; entre
o mandamento de amor ao próximo, que sofre e passa necessidade, e as situações
concretas de justiça e paz a realizar” (João Paulo II, discurso na favela do
Vidigal, 3)
II – A
REALIDADE DURA, VIVIDA HOJE PELA
PESSOA DOENTE
E/OU COM DEFICIÊNCIA, NOS DESAFIA
5 – Consciente da felicidade completa que
Deus quer para todos as pessoas, a FCD se reconhece presente no mundo marcado
pelas injustiças, pelas desigualdades sociais, e sofre ela mesma nos seus
membros a sorte que atinge a todos excluídos, oprimidos e marginalizados.
Pessoas doentes e/ou com deficiência são as que sofrem mais agudamente as
conseqüências da violência que existe na organização social.
6 – A sociedade, baseada num sistema
sócio-econômico e político discriminatório, no qual a participação nas decisões
tornou-se um privilégio restrito a alguns e não um direito a todos, reserva à
pessoa doente e/ou com deficiência um comportamento de dependência que termina
por marcar o ânimo de quem já tem o corpo limitado. Marcado, muitas vezes, pelo
fatalismo, especialmente religioso (exemplo: “Deus quis assim”) é exigido dele
a submissão, como se sua deficiência fosse a materialização de seu pecado, de
sua condição moral, de um castigo ou prêmio divino (cf. Lucas, 13, 1-5). Tudo
isso acaba por encobrir, mascarar ou tentar justificar o preconceito social que
espalha a opressão e a ordem injusta, que causa e provoca doenças e
deficiências. “Uma civilização é julgada pelo tratamento que dispensa às
minorias” (Gandhi).
7 – O sistema econômico-social e político é o
grande responsável pelo aumento das doenças e deficiências: a fome que gera o
nanismo; as irreversíveis lesões cerebrais; a medicação e as cirurgias
inescrupulosas; os abortos; a desinformação sobre prevenção; o precário
atendimento médico previdenciário e de assistência; a falta de centros de
orientação e reabilitação; a capitalização da doença em detrimento dos serviços
de higiene e saneamento básico; os acidentes de trabalho e de trânsito; a
irresponsabilidade dos serviços de seguranças; as torturas e espancamentos; o
álcool; as drogas; assaltos; as brigas e a violência em geral; resultado das
frustrações da vida; são co-produtores permanentes de deficiências e moléstias.
A estrutura social produz também doentes e limitados físicos pelas violências
morais e psíquicas que atentam contra a integridade das pessoas, contra a sua
identidade, contra a sua segurança e estabilidade: pelas expulsões da terra,
insalubridade, barreiras arquitetônicas, rotatividade da mão-de-obra,
tratamento desumano, controle dos sindicatos, violação da consciência, dos
valores e da cultura dos mais pobres.
8 – É preciso denunciar:
a) a causa básica desta situação é a inversão dos valores morais e o pecado do coração humano que se tornam visíveis numa ordem sócio-econômica e política desumana e materialista;
b) a acumulação do capital e dos meios de produção, concentrados nas mãos de uma minoria, rouba à totalidade dos trabalhadores brasileiros, privando-os dos bens necessários para uma vida digna;
c) a manipulação da opinião pública e de consciência pelos meios de comunicação social, que estão a serviço da classe dominante e visam manter a atual situação de opressão.
d) Não se pode justificar uma organização social que enriquece muito a poucos e condena a maioria da população à miséria crescente.
9 – A pessoa com deficiência, assim como
outros grupos marginalizados, enfrenta barreiras psicológicas sociais, morais e
religiosas, bem como barreiras físicas e materiais. As escadas, os obstáculos nas
calçadas, a falta de legendas no vídeo, os transportes coletivos, tudo é
construído de forma a excluir, na prática, a pessoa limitada física. Nega-se a
ela também a participação em setores, funções e instituições sociais,
religiosas e políticas, dificultando a sua realização humana e afetiva através
do preconceito social e cultural imposto. Deficientes que vencem as barreiras
impostas são tidos como exceções, que servem de exemplo para justificar a regra
e o preconceito disfarçado.

10 – A pessoa com deficiência é considerada e mantida improdutiva não constando sequer nas estatísticas oficiais. Tenta-se negar, na prática, sua existência, destruindo-a por dentro, mutilando sua identidade, seu valor e sua dignidade, ignorando-a e privando-a de reconhecimento. É muitas vezes explorada pela sociedade para fazer campanhas e pedir esmola; é ocupada em redes de sub-empregos tais como: a venda de balas, bilhetes, bijuterias, passadores de drogas etc., negando-lhe uma consciência sobre as justas relações no mundo do trabalho. É também, muitas vezes, usada por entidades inescrupulosas, grupos e partidos, inclusive de pessoas com deficiência, para promoções econômicas ou políticas, onde alguns se prevalecem em benefício próprio.
11 – Ainda se deve reconhecer que, muitas
vezes, pessoas com deficiência, sobretudo pobres, terminam por servir de
cobaias para tratamentos perigosos, de eficácia duvidosa sem a devida consideração
por sua humanidade e dignidade. Também, drogas proibidas no 1º mundo são
inescrupulosamente comercializadas no 3º mundo, ocultando-se informações sobre
a sua indicação e efeitos colaterais.
12
– A FCD reconhece ser a família um elemento de grande influência na formação da
pessoa. Quando ela se coloca, solidária e positivamente, a favor da pessoa
humana, as deficiências e limitações quase sempre se superam de modo normal.
Mas, devido às influências de diversas mentalidades, de preconceitos e
discriminações, a família se torna reprodutora das opressões e repressões. Por
sentir vergonha pela deficiência e considerar a pessoa com deficiência como
inútil, nega-lhe o direito à alegria, ao prazer, à realização humana e afetiva.
A família restringe-lhe o espaço e a mobilidade, tornando-a medrosa, insegura,
dependente sem esperanças.
13 – Para o homem doente e/ou com deficiência
ou idoso, condicionado pelo machismo, se acentuam o preconceito e a dificuldade
de realização sexual, afetiva e econômica.

14 – A mulher, numa sociedade machista desinformada, é marginalizada por ser mulher e por ser deficiente. Sofre a pressão da família, a submissão em tudo, a super-proteção; é mão-de-obra barata ou sem remuneração; não tem acesso à capacitação e escolarização, o que dificulta sua entrada no mundo do trabalho. É explorada como objeto sexual e preconceituosamente considerada incapaz de ser mãe ou simplesmente reduzida ao papel da maternidade.
15 – As crianças, sobre tudo nas áreas de
carência, sem saneamento básico, sem alimento e sem higiene, é negado o acesso
à habilitação e reabilitação. Por preconceito, são privadas de buscar, no
devido tempo, meios de desenvolver seu potencial de vida. Por ignorância
mantida pela estrutura, se afirma que Deus assim as quer, do jeito que
nascemos; que sua deficiência é destino e que nada deve ser feito para a sua
promoção ou a superação de seu problema. Sofrem também por serem barradas nas
escolas, pela chateação condicionada das outras crianças, pela exclusão
sistemática dos jogos infantis, pela falta de lazer...
III – A
MISÃO QUE DESCOBRIMOS, A LUZ DO EVANGELHO
A – O SERVO DE
DEUS: RESISTIR E ESPERAR, SOLIDÁRIO COM OS PEQUENOS
16 – A Fraternidade é dom e serviço de Deus
na comunidade. É chamada a ser missionária na Fé, apoiada no amor de Deus e no
compromisso com a vida. Assume o desafio de desenvolver na pessoa doente e/ou
com deficiência a consciência de ser como o SERVO DE DEUS, de que fala o
profeta Isaias (Isaias 42, 1-9; 49, 1-6; 50, 4-9; 52, 13-53; 61, 1-2). Ele é
portador de esperanças para todos que afirmam Deus como Pai Libertador. O
sofrimento imposto sobre o servo não o impede de viver à fé no Deus da vida e
de servir aos irmãos na caminhada de transformação da história. Seu culto a
Deus não é passividade, mas compromisso ativo, combativo e afirmador de que a
realidade presente está dando lugar a um novo céu e uma nova terra (cf. Is 65,
17). Pois, ele sabe que nada poderá separá-lo do Amor de Deus que se manifesta
17 – A FCD sente-se chamada a identificar-se
mais plenamente com Cristo Pobre (cf. 2Cor. 8,9) através da “solidariedade com
os pequenos e fracos, os que sofrem e choram, os que são humilhados e deixados
á margem da vida e da sociedade (cf. Mt 25, 31-46) para ajudá-los a conquistar
com maior plenitude a própria dignidade de pessoa humana e de filhos de Deus”
(Puebla 1158). Por isso, a FCD se associa concretamente ás suas lutas com a
consciência de que “as lutas solidárias dos pobres, longe de representarem os
interesses de apenas uma classe social, significam seu serviço humilde,
persistente e sofrido a todas as pessoas, em vista
de renovação da humanidade e da sociedade, a exemplo do servo de Deus. Tudo
isso faz do pobre um portador especial da ação evangelizadora” (CNBB, Doc. 28,
nº 41 e Puebla 1147).
18 – A FCD recupera a consciência da história
concreta de cada fraternista, suas dúvidas, suas angústias, limitações e
temores (cf. Mt 11, 28) sua cidadania, sua esperança, fé e valores de vida,que,
resgatados no convívio fraterno, se tornam lugar concreto de revelação de Deus
(CF. Jo 4, 7-21 e Rm 8, 28) e renovação do sentido da vida.
B – NO MEIO DA DOR
E DA DEFICIÊNCIA: EXPERIMENTAR E TESTEMUNHAR A RESSURREIÇÃO E A VIDA
19 – Com o reconhecimento do amor de Deus e dos
irmãos, a limitação, a dor e o sofrimento já não são o centro de referência nem
válvula de escape para nos omitirmos da missão e compromisso que temos no
serviço ao próximo e na organização deste mundo. E, ao mesmo tempo, se torna
denúncia viva dos ídolos, injustiças, desrespeitos e tudo o que desmerece a
vida.
20 – Por isso, o fraternista descobre em si
mesmo a verdade de que não está só e que é chamado a assumir comprometidamente
a Missão transformadora. A Cruz, outrora imposição e expressão de morte, no
sentido evangélico da liberdade e na vitória do amor, se torna vida e abre o
ser humano para a comunhão, o serviço e a solidariedade (cf. Fl 3, 10-11).
21
– O Fraternista, ao assumir as suas limitações, sente a necessidade de
encontrar novas possibilidades de vida; de ter criatividade e participação; de
ser criativo no serviço aos que sofrem. O desafio é dar, com liberdade, novo
sentido e objetivo à própria vida, enriquecida agora pela experiência da Cruz
(cf. CI 1, 23-24). A limitação, que antes era só Cruz, agora apresenta novas perspectivas
de sentido e de esperança (cf. FI 2, 5-11; 2Cor 4, 10-12). Isso não ocorre
apenas pelo esforço pessoal, e sim, pela convivência fraterna e pela cooperação
da graça do Senhor; que vem em socorro da nossa fraqueza (cf. 2Cor 12, 9-10).
22 – A FCD testemunha e anuncia que a doença e
a deficiência não são prêmio nem castigo de Deus, mas limitação da natureza
descuidada pelos homens; e que, assumidos com amor e sabedoria, trazem rica
experiência ao coração humano, proclama a grandeza de Deus (cf. Jo, 9, 1-3), e
revelam a importância da luta verdadeira pela saúde e pela vida, no meio de um
mundo que se apóia só em aparências (cf. Lc. 13, 1-5).
C – OPTAR PELOS
POBRES, QUERER O BEM DE TODOS
23 – A grande característica da FCD é que se
dirige e busca a todos; não exclui ninguém; fala a partir dos pobres e
marginalizados, como fez Jesus (cf. Lc 4, 17-19; Mt 5, 3-10). Deus, escolhendo e
tomando o partido dos pobres, se revela universal, pois assume aqueles que
foram postos à margem da vida, e a partir deles, chama todos à conversão e à
justiça (cf. Mt 11, 25-26).
24 – A Fraternidade sabe que, numa sociedade desigual,
amar a todos na mesma medida e do mesmo modo é injusto, em relação aos pobres que
estão numa situação de grave carência e de maior necessidade. Pois, o amor não
é algo teórico, mas concreto; é serviço gratuito àquele que em nada é servido
(cf Tg 2, 1-9). “Por isso, serei para com meu próximo um Cristo, à maneira como
Cristo foi comigo, nada fazendo nesta vida além do que perceber ser necessário,
proveitoso e salutar para o meu próximo, já que, pela fé, possuo em abundância
todos os bens em Cristo” (M. Lutero). A opção pelos pobres é o testemunho mais
coerente com o Evangelho e o caminho mais eficaz para a conversão do coração
humano ao projeto de Deus e à libertação. Tomar posição na luta contra a morte
em favor da vida.
D – A LUTA PESSOAL
DE CADA UM É A LUTA DE TODOS PELA VIDA

25 – A FCD, por isso, fala de maneira particular à pessoa doente e/ou com deficiência, que, sentindo a própria limitação, se fecha nela. Saibam esses nossos irmãos que sua luta pessoal pela saúde e pela vida já é um meio de superação, e está inserida na luta mais universal pela dignidade de toda a pessoa. Isso eleva e humaniza todos os homens e mulheres e convida a cada um para se unir e se engajar na luta de todos por condições mais dignas de vida. O Evangelho e o caminho mais eficaz para a conversão do coração humano ao projeto de Deus e à libertação.
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26 – Aquele, cujo sofrimento o emudeceu, saiba que sua
vida é um grito sem voz, mas que Deus ouve (cf. Êx. 22, 23-27). É seu jeito de
anunciar a Boa Nova, denunciando a dureza de uma sociedade que se tenta calar e
não os leva
E – ROMPER O INDIVIDUALISMO DA DOENÇA E/OU DEFICIÊNCIA E VIVER EM COMUNHÃO
27 – A FCD quer ser sobretudo fraternidade. Procura
romper com o individualismo, o sofrimento, a angústia e a dependência das
pessoas com deficiência e/ou doentes, capacitando-as para a comunhão. A unidade
é o modo mais eficiente de anúncio do Deus-Amor (cf. Jo, 17, 21-26) e de denúncia
das estruturas de morte. Na história das pessoas com deficiência, a FCD anuncia
que a vida é mais forte do que a morte e que, por isso, a pessoa limitada é
fonte de testemunho vivo da Ressurreição.
F – CRER NA FORÇA
DO FRACO, ACOLHÊ-LO NA COMUNHÃO
28 – Apostamos na força do que é fraco e
pobre, segundo o mundo, na certeza e na experiência comprovada de que a
promessa de Deus está conosco (cf. 1Cor 1, 26-29), e que seu Reino, que também
é nosso, está presente na comunhão e na partilha, exigindo de nós constante
conversão para maior compromisso (cf. Atos 2, 42-45; 4, 32-35).
29 – O Reino, critério fundamental, que julga
toda a presente realidade de pecado e injustiça, nos corações e nas estruturas,
será projeto de Nova Sociedade construída já parcialmente na terra, antecipando
o Reino definitivo, “Reino de Verdade e de Vida, Reino de Fidelidade e de
Graça, Reino de Justiça, Amor e de Paz” (Gaudium et Spes, 39). “Nesta
caminhada, a FCD está presente e, de modo particular, descobre na organização
dos pobres a presença viva, atuante, libertadora do próprio Senhor Jesus” (CNBB
Doc. 28, n. 51).
30 – Sofrendo a experiência da discriminação
na própria carne, a FCD aprendeu a ter sensibilidade para com todos os que são
discriminados. Congrega os deficientes físicos, os mentais, os visuais e
auditivos, os mudos, os talassêmicos, os hansenianos, os portadores de AIDS, os
hemofílicos, os diabéticos, os portadores de esclerose múltipla, os
falsiformes, os ostomizados, os portadores de Síndrome de Down, os mastectomizados,
os autistas, os renais crônicos, os paraplégicos, os tetraplégicos, os
hemiplégicos, os paralíticos, os portadores de paralisia cerebral, os amputados
e outros. Por isso, acolhe de maneira fraterna e se une às lutas dos índios,
dos negros, dos menores abandonados, das mulheres, dos idosos, dos
homossexuais, das prostitutas, dos alcoólatras, dos viciados, das domésticas,
dos bóias-frias, dos sem-terra, das lavadeiras,
dos favelados, dos migrantes, dos catadores de lixo, dos moradores de porões,
das mães solteiras, dos pescadores, dos biscateiros, dos trabalhadores urbanos
e rurais; todos, enfim, que afirmam o valor da humanidade e da dignidade da
pessoa, às vezes, o único valor que resta aos pobres e pequenos. A FCD os
acolhe com consciência cristã e afirma que toda pessoa tem muito a contribuir
para o todo e para um mundo novo.
G – ALIMENTAR A
VIDA E A LUTA NA PALAVRA DE DEUS
31 – A Bíblia é a história do povo que, no
sofrimento e na luta, procurou ser fiel a seu Deus e é a revelação do mesmo
Deus ao seu povo (cf. 1Cor 10, 6-11). Hoje, a história do povo da Bíblia e a
revelação total do amor de Deus
32 – A FCD sabe que o projeto de Deus na nova
Aliança, não é eleição de uma raça, de uma nação, mas é a formação de um Novo
Povo, onde Deus se coloca junto a todos os sem vez e sem voz, dos quais a FCD é
uma pequena e humilde parcela, e com estes quer fazer história.
H – COM JESUS, ORAR
AO PAI E ABRIR-SE A AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO

33 – Jesus veio revelar a presença do Deus da Vida (cf. Jo 10,10). A sua maneira de viver traduziu para nós o Pai (cf. Jo 14, 6-11). E ele, ficando entre nós, dá a compreender o grande amor do Pai e nos convida a viver constantemente este amor que chamamos de fraternidade, vida de irmãos (cf. 1Cor 13, 1-8). Assim vivendo, nasce e cresce no meio de nós uma grande alegria, que contagia e atrai a outros para este meio. Esta vida fraterna, filhos deste Pai que é Amor, é compreendida e vivida quando silenciamos para sentir, escutar e meditar sua presença e quando partilhamos profundamente a vida. Esta oração pessoal e comunitária faz descobrir o amor de Deus em nós e nos desafia a testemunhá-la.
34 – No Espírito do Senhor, a FCD descobre
como ela mesma necessita de conversão, mudança e renovação (cf. Jo 14, 26; 16,
8; 16, 13) e ao mesmo tempo, contribui para a libertação de todos, trazendo em
si mesmo, a força renovadora desse Espírito que faz permanentemente novas todas
as coisas (cf. Ap. 21, 5).
35 – Portanto, dentro de uma comunidade onde há
dons e serviços (cf. 1Cor 2, 4-7), a FCD sabe-se convocada pelo Senhor Jesus a
realizar sua missão que lhe é dada para edificação e engrandecimento do Reino.
Não renuncia ao desafio de fazer-se profética e organizadamente presente no
mundo, contribuindo com uma parcela que lhe é particularmente própria.
IV –
OBEDIENTES À MISÃO QUE DESCOBRIMOS, DAMOS OS PRIMEIROS PASSOS NA ESPERANÇA.
36 – No tempo do novo testamento, a presença abundante
de pessoas doentes e/ou com deficiência era um sinal concreto de que a Aliança
das pessoas com Deus estava quebrada. Jesus congrega os doentes, dá-lhes
consciência do seu valor e ajuda-os a superar suas limitações. A Aliança era a
promessa de igualdade, respeito, vida e liberdade para todos. Por isso, a ação
de Jesus é o início de um Novo Tempo, é a renovação da Aliança (cf. Mt 4,
23-24; 9, 35-36), é o despertar do Reino de Deus que a FCD quer ajudar a
construir.
37 – Cresce na FCD a consciência sobre a sua missão
evangelizadora. A consciência de fazer parte do povo escolhido de Deus,
peregrino na história, “resto de Israel”, portador de esperança para todos. A
consciência de pertencer a uma comunidade que abraça o projeto de Deus para construir
uma sociedade nova, onde os excluídos e marginalizados ganham vez e voz e se
tornam sujeitos da história; a consciência progressiva do seu valor, da sua
cidadania e, em conseqüência, a tarefa de conscientizar a sociedade que os
cerca e de desmascarar a ideologia discriminatória que é imposta. A consciência
clara de que a deficiência e a doença não são vontade de Deus. A consciência da
realidade social de injustiça e exploração que gera deficiência.
38
– Os fraternistas já começam a partilhar:
a) seus valores, possibilidades e potencialidades adormecidas pelo preconceito e super proteção; b) novo sentido da existência, não mais importa a limitação, mas a vida; não mais importa a deficiência, mas a experiência aprendida; c) a sabedoria de compreender, mais profundamente e melhor, o mundo e a vida de todos os pequenos, fracos e oprimidos; d) solidariedade para com os movimentos e grupos, que lutam pela mesma causa.
39
– O testemunho de serviço é sinal de redenção que se materializa na FCD. A
pessoa com deficiência, de atendida, passa a atender; de objeto de atenções
especiais, torna-se sujeito ativo de sua história; de alguém fechado sobre si
mesmo, torna-se defensor dos interesses da maioria, assumindo um serviço fraterno
e transformador.
40 –
Os fraternistas são ponte de ligação, entre as pessoas com deficiência, marginalizadas,
escondidas em seus lares, e o mundo. Na visita, o fraternista leva sua
experiência, desperta o reconhecimento mútuo e estabelece laços de amizade. Através
do estímulo para a libertação, a pessoa com deficiência vai se conscientizando de
suas potencialidades e descobre o valor da participação.
41 – Pela presença nas mobilizações, nos
movimentos populares, nos organismos intermediários, nas reivindicações dos seus direitos, na ocupação dos espaços sociais,
tem ajudado a denunciar as opressões e a fortalecer a luta e a solidariedade dos
oprimidos, contribuindo para a antecipação de um Novo Céu e de uma Nova Terra.
42
– A FCD, junto com as múltiplas associações, entidades e movimentos de pessoas
com deficiência, traz o sinal de esperança, de ser força de representação
social que muito ajuda na organização, articulação de doentes e/ou pessoas com deficiência
e lhes confere força de pressão absolutamente necessária para suas
reivindicações e conquistas.
43 – A FCD, pela sua dinâmica, desencadeia um
processo que possibilita a superação de barreiras internas e externas (veja
item 9) das quais muitas podem e devem ser vencidas pelas próprias pessoas com
deficiência. Descobre a partilha, a amizade, o afeto, a sexualidade, o lazer, o
esporte, a festa, como dimensões humanizadoras de toda a pessoa.
44
– Na busca de coerência como o Ser Fraterno e sabendo que a doença e a
limitação não escolhem pessoas pelo credo, a FCD cultiva com carinho a união Ecumênica
que une cristãos entre si, e com não-cristãos de outros credos ou mesmo de
nenhum credo, em defesa da vida (cf. Ef 4, 5-6). “Como é bom para quem não crê,
ter um amigo que crê” (Pe. François). “A Regra de Ouro consiste em sermos
amigos do mundo e considerarmos uma toda família humana. Quem faz distinção
entre os fiéis da própria religião e os de outra, deseduca os membros da sua
religião e abre caminho para o abandono, à irreligião” – (Gandhi).
45 –
A FCD contribui, sobretudo para despertar o sentido da vocação para a
militância e para a mística do doente e ou c/ deficiência, tornando-se pessoa
em missão, abrindo portas, antes fechadas e inacessíveis.
46 – O direito à realização, descoberta no
convívio fraterno da FCD, lhe proporciona um novo modo de ser na sua família e
na sociedade; desperta nele o direito de constituir família e lhe confere um
espaço de trabalho, emprego, atuação social e política antes desconhecidas.
Abrem-se assim, as portas para a criatividade, para novos modos de integração.
É a pessoa humana toda que se realiza.
V – DINÂMICA
DE FUNCIONAMENTO DA FCD
“Com este espírito e para o
desempenho prático, seguimos um mínimo de estrutura, a saber”:
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47 – O NÚCLEO, como a célula vital da FCD, agrupa pessoas preferencialmente por aproximação geográfica. Dele participam pessoas com deficiência e seus familiares, além de pessoas sem deficiência (conselheiros e colaboradores).
§ 1º – O núcleo será oficialmente constituído quando tiver uma equipe de coordenação eleita em assembléia de núcleo, presidida pela instância imediatamente superior.
§ 2º – A coordenação sub-estadual ou estadual acompanhará o núcleo em formação.
48
– O NÚCLEO é coordenado por uma equipe necessariamente eleita em Assembléia,
composta de 5 membros: o/a coordenador/a, o/a 1º coordenador/a adjunto, o/a 2º
coordenador/a adjunto, o/a conselheiro/a e o/a conselheiro/a adjunto.
§ 1º – O/a coordenador/a e os/as coordenadores/as adjuntos serão obrigatoriamente pessoas com deficiência.
§ 2º – O/a conselheiro/a e o/a conselheiro/a adjunto serão pessoas sem deficiência.
§ 3º – A Assembléia de Núcleo poderá eleger outros membros para completar a equipe (secretário/a e tesoureiro/a). Se, porém, a Assembléia de Núcleo não o fizer, a equipe eleita convocará outros fraternistas para completar a equipe, possibilitando o princípio da co-responsabilidade.
§ 4º – Se as circunstâncias locais não permitirem constituir uma equipe de 5 membros, poderá ser eleita uma equipe composta por 3 membros: coordenador/a, coordenador/a adjunto e conselheiro/a.
49 – Compete às Equipes de Coordenação:
a) zelar pela fidelidade ao Espírito e aos Princípios Fundamentais do Movimento;
b) dinamizar, orientar e cuidar do desenvolvimento da FCD;
c) desenvolver o processo de formação dos fraternistas com base nos princípios da FCD e informá-los dos direitos e deveres de cidadão;
d) promover e incentivar visitas;
e) representar publicamente a FCD, seja judicial ou extra-judicialmente;
f) organizar e coordenar, com espírito democrático e participativo, as atividades da FCD;
g) cumprir e fazer cumprir as decisões da Assembléia;
h) promover a integração da FCD com entidades congêneres e com
i) outros movimentos e lutas populares;
j) providenciar, em conjunto com os demais fraternistas, fundos para garantir a continuidade das atividades, bem como administrar recursos financeiros, bens móveis e imóveis sob sua jurisdição, sempre em função dos trabalhos da FCD;
k) cumprir os requisitos jurídicos e civis inerentes à Entidade Jurídica, sob pena de responsabilidade.
50 – Compete ao/à coordenador/a e ao/à
coordenador/a adjunto:
a) coordenar, em espírito de equipe, as atividades da FCD;
b) incentivar e vivenciar os contatos pessoais, o relacionamento, o interesse e a amizade de uns com os outros a partir do próprio exemplo, promovendo a união de todos;
c) convocar e coordenar as reuniões da equipe e as assembléias;
d) manter intercâmbio com outras entidades afins para troca de experiências e enriquecimento mútuo.
51 – Compete ao/a Conselheiro/a e ao/a
Conselheiro/a Adjunto:
a) viver e garantir o modo de ser e a espiritualidade do Movimento;
b) possuir formação, vivência evangélica e fraterna, considerando a diversidade religiosa;
c) ser ponte, isto é, manter freqüente e assídua comunicação com os fraternistas, através de visitas, telefonemas e correspondências;
d) atuar na coordenação com espírito de equipe;
e) acompanhar e animar os fraternistas no seu processo de formação.
52 – Compete ao Colaborador/a:
a) inteirar-se do espírito do Movimento;
b) participar das atividades segundo as suas possibilidades;
c) colaborar solidariamente na descoberta e no desenvolvimento das potencialidades de todos os fraternistas;
d) despertar, pelo seu serviço, o espírito de partilha e de vida comunitária;
e) ser apoio e incentivo para que as pessoas com deficiência conquistem seu espaço e seus direitos sociais;
f) trabalhar “com” e não “ pela” pessoa com deficiência.
53
– As equipes farão reuniões dinâmicas e criativas para refletir, planejar,
coordenar, executar, avaliar as atividades e aprofundar o espírito do
Movimento.
§ único – As reuniões serão tão freqüentes quanto necessárias e possíveis para o aprofundamento
e o bom andamento dos trabalhos.
54 – Encontros, cursos de formação e retiros,
nas diversas instâncias de coordenação, são momentos importantes na caminhada
da FCD. Neles há troca de experiências, aprofundamento de temas, capacitação e
qualificação de líderes dinamizadores, favorecendo a conscientização, o
crescimento e o enriquecimento pessoal e coletivo dos fraternistas, sempre
considerando os aspectos teóricos e práticos.
55
– A FCD Sub-estadual é formada pelo conjunto de núcleos (no mínimo 03) que se
situam na circunscrição geográfica de uma mesma região do Estado.
§ 1º – A Coordenação Sub-estadual é constituída por um/a coordenador/a, 1º Coordenador/a Adjunto, 2º Coordenador/a Adjunto, Conselheiro/a e Conselheiro/a Adjunto.
§ 2º – Se, a partir das circunstâncias regionais, não houver possibilidade de constituir uma equipe com 5 fraternistas, poderá ser eleita uma equipe composta de coordenador/a, coordenador/a adjunto e conselheiro/a;
§ 3º – Compete à Equipe Sub-estadual:
a) cumprir as atribuições constantes das letras “a” até “j” do Art. 49;
b) dinamizar, articular e acompanhar a vida dos núcleos existentes ou em formação em sua área de atuação.
56
– A FCD Estadual é formada pelo conjunto das FCDs Sub-estaduais e/ou núcleos
(no mínimo 03) que se situam na circunscrição geográfica de um mesmo Estado.
§ 1º – A Coordenação Estadual é constituída por um/a coordenador/a, 1º Coordenador/a Adjunto, 2º Coordenador/a Adjunto, Conselheiro/a e Conselheiro/a Adjunto. Estes/as convocarão outros fraternistas para completar a equipe, possibilitando o princípio da co-responsabilidade.
§ 2º – Cada equipe de coordenação estadual deverá constituir uma comissão de formação, além de outras comissões necessárias para o assessoramento e a viabilização dos programas.
§ 3º – Compete à Equipe Estadual:
a) cumprir as atribuições constantes das letras “a” até “j” do Art. 49;
b) dinamizar, articular e acompanhar a vida das Equipes Sub-estaduais e/ou Núcleos existentes ou em formação, dentro de sua área de atuação;
c) Acolher e encaminhar à Coordenação Nacional o pedido de filiação à Federação quando oficialmente habilitada;
d) manter atualizada e em dia a documentação da FCD Estadual e tomar as providências civis e jurídicas exigidas em lei.
57
– A FCD Interestadual é formada por um conjunto de FCDs Estaduais de uma mesma
região geográfica, considerando-se que a FCD brasileira é composta por cinco
regiões: Norte, Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul.
§ 1º – Cada FCD Interestadual só poderá eleger seu/sua respectivo/a Coordenador/a Interestadual se houver, no mínimo, dois ou mais Estados com FCD em sua região. Enquanto ainda não tiver obtido esse mínimo, será coordenada pela Coordenação Interestadual mais próxima.
§ 2º – A Coordenação Interestadual é composta por um/a
Coordenador/a eleito
§ 3º – A criação de uma nova FCD Interestadual é de competência exclusiva da Assembléia Nacional.
§ 4º – Em caso de impedimento do/a Coordenador/a Interestadual, a respectiva será coordenada pelo/a Coordenador/a Nacional.
§ 5º – Compete à Equipe de Coordenação Interestadual:
a) promover e coordenar encontros interestaduais;
b) presidir o processo eletivo das assembléias estaduais;
c) visitar os Estados quando for solicitado e/ou quando necessário;
d) incentivar e promover a expansão da FCD nos Estados que compõem a Interestadual;
e) fomentar a unidade das coordenações estaduais;
f) estimular a troca de experiências na FCD Interestadual;
g) programar e executar as atividades, de forma colegiada, com as coordenações estaduais;
h) incentivar os contatos pessoais;
i) mediante a colaboração de seus associados e em consonância com a Equipe Nacional, providenciar fundos, seja através de doações ou promoções, seja através de convênios e projetos, e administrar esses fundos em função dos trabalhos e da continuidade de atividades da FCD.
58
– A FCD Nacional é formada pelo conjunto das FCDs Interestaduais, Estaduais e
do Distrito Federal do País em que há FCD.
§ 1º – A Coordenação Nacional é composta pelo coordenador/a, conselheiro/a, conselheiro/a adjunto, eleitos em assembléia nacional, e pelos/as coordenadores/as interestaduais, eleitos pelos representantes e delegados/as de sua respectiva FCD interestadual presentes na Assembléia Nacional. Estes convocarão outros fraternistas auxiliares para completar a equipe, possibilitando o princípio da co-responsabilidade;
§ 2º – Compete à Equipe de Coordenação Nacional:
a) cumprir as atribuições constantes das letras “a” até “j” do Art. 49;
b) dinamizar, articular e acompanhar a vida da FCD nos Estados em que esta estiver oficialmente constituída ou em formação, e assessorar a Equipe de Coordenação Interestadual ou Estadual na organização de encontros em nível nacional;
c) articular-se com as Equipes Americana e Inter-Continental para manter o princípio da unidade;
d) editar o veículo de comunicação – Cartas Abertas – da FCD, de circulação nacional, atualizar o site na web e estimular todos os meios de comunicação possíveis;
e) cumprir e fazer cumprir os requisitos inerentes à Pessoa Jurídica, em todas as instâncias em que estiver constituída.
§ 3º – Em casos de impedimento do/a Coordenador/a Nacional, assumirá um dos coordenadores nacionais adjuntos, por decisão da Equipe Nacional.
59
– A Assembléia é o órgão máximo e soberano da FCD em todas as instâncias de
coordenação, respeitandos seus níveis e competências.
§ 1º – São funções da Assembléia:
a) incentivar uma sólida formação humana, social, ecumênica e religiosa;
b) eleger, em todas as instâncias, as equipes de coordenação para um mandato de 03 (três) anos.
c) delegar encargos às equipes de coordenação;
d) planejar, avaliar e decidir sobre as atividades da instância;
e) examinar e aprovar a prestação de contas;
f) estabelecer calendário de atividades;
g) levar em consideração os temas/assuntos sugeridos nos comitês preparatórios.
§ 2º – As eleições das coordenações de núcleos e das FCDs sub-estaduais deverão se processar em tempo suficientemente anterior à eleição das coordenações estaduais, de forma a garantir que essas equipes possam adquirir o necessário conhecimento de quem representam. As eleições estaduais deverão ser realizadas um ano antes ou um ano após a Assembléia Nacional.
§ 3º Cada fraternista coordenador/a ou conselheiro/a só pode ser reeleito/a uma vez para a mesma função, tendo, porém, a possibilidade de ser eleito para uma função mais ampla; além disso, não pode retornar para funções já exercidas de forma subseqüente. (Ocupar novamente o cargo de adjunto na mesma equipe).
§ 4º – Compete à Assembléia Nacional:
a)
reconhecer oficialmente a organização da Fraternidade
b) traçar normas para publicação do órgão de comunicação da FCD no Brasil;
c) traçar as linhas de atuação e de unidade no país;
d) traçar e incentivar diretrizes de formação.
§ 5º Compõem as assembléias:
a) DE NÚCLEO – todos os fraternistas, conforme o estatuto da FCD na respectiva instância.
b) ESTADUAL E SUB-ESTADUAL – a equipe de coordenação destas instâncias decidirá quanto ao número de componentes, com base na realidade local, salvaguardando, ao máximo, o princípio de representatividade.
c) NACIONAL – a
Equipe Nacional, mais cinco representantes de cada Estado assim constituídos:
coordenador/a e conselheiro/a, 2 delegados/as eleitos/as
§ 6º – A Assembléia, em cada nível, elegerá também os suplentes para a Assembléia de nível imediatamente superior;
§ 7º– Fica a critério das equipes de coordenação de cada instância, convidar pessoas para participarem da respectiva Assembléia, com direito a voz.
§ 8º – A equipe de coordenação, em todos os níveis, poderá apresentar seu respectivo regimento interno para aprovação da assembléia.
§ 9º – Das votações:
a) Cada eleitor/a só terá direito a um voto, não podendo acumular nem votar por procuração.
b) As eleições de pessoas serão feitas por voto secreto e sempre por maioria absoluta.
c) As eleições serão presididas pelo/a coordenador/a ou representante de instância mais ampla.
d) Só terão direito a participar das votações os fraternistas da delegação que tiverem participado dos comitês preparatórios.
e) Os votos dos/as colaboradores/as não poderão ultrapassar a metade do número de pessoas com eficiência componentes da assembléia.
f) A assembléia, em todos os níveis, decidirá se a votação será por chapa ou por função.
60
– O Comitê Nacional é um órgão de assessoramento à Equipe Nacional, que
propicia momentos importantes de partilha e troca de experiências. Será
convocado pela Equipe Nacional de acordo com os assuntos a serem tratados, e as
reuniões serão tão freqüentes quanto necessárias para o assessoramento à Equipe
Nacional.
§ único – Os comitês, nas outras instâncias, são convocados pelas respectivas equipes para os mesmos objetivos.
61
– A FCD seguirá as seguintes normas gerais:
§ 1 º – A FCD não tem objetivo econômico-financeiro, não sendo sua atribuição construir escolas especiais e oficinas protegidas, nem assumir obras economicamente dispendiosas. Cabe-lhe, no entanto, apoiar e divulgar iniciativas que beneficiem pessoas com deficiência, bem como exigir, nesse sentido, o cumprimento de objetivos assumidos por órgãos públicos e entidades públicas ou privadas.
§ 2º – A manutenção econômica da FCD é feita através de atividades desenvolvidas pelos fraternistas, equipes e colaboradores, doações, promoções e outras iniciativas, tais como projetos que canalizem recursos de órgãos públicos ou privados em todos os níveis: municipal, estadual, nacional e internacional;
§ 3º – Todas as instâncias farão uma contribuição financeira à equipe de instância mais ampla.
§ 4º – Anualmente, cada equipe informará, por escrito, à equipe de instância mais ampla e vice-versa, o desenvolvimento de suas atividades e o movimento financeiro.
§ 5º – Em qualquer promoção financeira será salvaguardada a imagem e dignidade da pessoa com deficiência, o espírito e modo de ser da FCD.
§ 6º – Para suas necessidades jurídico-administrativas, as instâncias da FCD que não tiverem personalidade jurídica poderão solicitar ajuda a entidades locais, com as quais mantêm intercâmbio.
§ 7º – As FCDs registradas civilmente terão, no seu Estatuto e Regimento Interno, orientações pertinentes aos bens materiais.
62
– A FCD seguirá as seguintes orientações gerais:
§ 1º – A FCD terá registro civil em nível nacional, consubstanciado no CNPJ – Cadastro Nacional. de Pessoa Jurídica.
§ 2º – Em nível estadual, poderá ter registro civil após decisão da Assembléia de sua instância e com estatuto baseado nos modelos já existentes na FCD.
§ 3º – Em nível municipal, poderá ter registro civil após decisão da Assembléia de instância mais ampla.
§ 4º – Em todas as instâncias, antes de terem o registro civil, deve ser observada a existência de sólida formação e boa organização do Movimento dentro do espírito da Fraternidade, observando-se, tanto quanto possível, a nomenclatura do DOCUMENTO BASE.
POSICIONAMENTO
DA FCD BRASILEIRA
SOBRE O
ECUMENISMO
Nós, da Fraternidade Cristã de
Pessoas com Deficiência do Brasil, reunidos
· A FCD se dirige a todos os doentes e/ou deficientes, sem qualquer tipo de discriminação.
· O eixo de sustentação da FCD e a luta contra todo sofrimento a denúncia de suas causas e, na solidariedade, buscar o desenvolvimento integral da pessoa.
· O reconhecimento de que a luta pessoal de cada um é a luta de todos pela vida.
· A visita e o contato pessoal são a dinâmica básica na ação do Movimento.
· O reconhecimento indubitável do valor de cada pessoa independe de sua condição.
· Toda pessoa é capaz, de colaborar na transformação desse mundo e na construção do reino da Justiça, Igualdade e Fraternidade.
· A unidade indiscriminada está garantida nos princípios unificadores já presentes no Documento-Base da FCD.
· No reconhecimento das convicções religiosas de cada pessoa e, sem fazer qualquer tipo de proselitismo, busca autenticidade de cada um na sua própria crença, convidando a todos para nos unirmos no espírito fraterno.
· Cada crença e filosofia de vida têm sua razão de ser e faz parte da consciência pessoal de cada um, merecendo, por isso, o reconhecimento.
· No espírito ecumênico, a Fraternidade, não só esta aberta a todos, mas quer ir ao encontro de todos e, no respeito às convicções de cada um, unindo-se na luta pela vida.
Nesta Assembléia, foram decididas diferentes ações concretas a serem levadas a pratica, em cada estado da Federação.
Reafirmando, assim, nossa postura ecumênica como parte de nossa identidade, sentimo-nos solidários com todos os que querem colocar-se a caminho, na construção de uma sociedade justa e fraterna, sinal do reino definitivo.
PAI NOSSO -
VERSÃO ECUMÊNICA/CONIC
Pai Nosso que estais no céu, Santificado seja o teu nome, venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dá hoje; perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixe cair em tentação, mas livra-nos do mal, pois teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém.