MIELOMENINGOCELE
         

          Introdução

Disrafismo Espinal é um termo genérico, reintroduzido na literatura médica por Lichtenstein, em 1940, e aplicado a grande variedade de malformações consequentes à defeituosa fusão do tubo neural. Estas anomalias podem afeta a pele do dorso, coluna vertebral, meninges, raízes nervosas espinais, medula e vísceras abdominais. A ocorrência dessa multiplicidade de lesões é função direta das camadas embrionárias afetadas.

Espima Bífida é a designação usada universalmente como sinônimo de disrafismo espinal, com propriedade, pois nessa malformação geralmente não há fusão dos arcos vertebrais posteriores. Classicamente, pode-se dividi-la em duas formas clínicas: Espina Bífida Oculta e Espina Bífida Aberta, sendo que a mielomeningocele é tida como Espina Bífida Aberta em que a malformação é granca e aparente ao nascimento.

Definição

A Espina Bífida é uma alteração do desenvolvimento da coluna vertebral por falta de fusão entre os arcos vertebrais, com ou sem protusão, e displasia da medula espinal e sua membrana.

Pode-se classificar a espina bífida de três formas:

Espina Bífida Oculta: caracteriza-se por fechamento incompleto das lâminas de uma ou mais vértebras, sem protusão do conteúdo intra-espinal na superfície, e, por falta de cisto perceptível, pode haver defeitos cutâneos, déficit neurlógico e displasia da medula espinal.

Meningocele: caracteriza-se por falta de fusão dos arcos vertebrais com saco meníngeo visível ao longo do eixo raquidiano. o saco contém LCR, duramáter e aracnóide, mas com ausência de tecido nervoso. Não há mielodisplsia, nem déficit neurológico. Durante o exame neurológico, não há provas de anomalias sensitivas, motoras, reflexas e transtorno dos esfíncteres.

Mielomeningocele: caracteriza-se pela falta de fusão dos arcos vertebrais com distensão cística das meninges e existência de tecido nervoso dentro do sco meníngeo. Há mielodisplasia com déficit neurológico demonstrável clinicamente, abaixo do nível da lesão.


        Etiologia

Acredita-se que a mielomeningocele provém de: antecendentes familiares de malformação, alterações na formação do tubo neural, anencefalia e hidrocefalia.

Incidência

De 2 a 3 em cada 1000 nascimentos.

Freqüência

Sexo feminino, de cor branca, classes menos favorecidas, primeiro nascimento e a partir do qunto filho, mães jovens e idosas.

Patogenia

As lesões poderão ocorrer em qualquer ponto ao longo do eixo raquídeo, porém com maior frequência na região lombosacra. Quanto mais alto o nível da lesão, menor probalidade haverá de afecção neurológica, por, na maioria dos casos , trata-se de meningocele simples, ocorrendo o contrário nas lesões que senencontram na região lombar. A maioria das lesões são posteriores, porém há casos de mielomeningocele anterior e lateral.

Características Patológicas

Pele: a pele que cobre o saco da mielomeningocele está sempre ncompleta, e através dela observam-se reaízes nervosas.

Meninges: normais e se estendem por baixo da lesão

Medula Espinal: sempre há mielodisplasia

Raízes Periféricas: não estão afetadas

Vértebras: poderá haver falta de lâmnas, falta de fusão das lâminas e falta total de formação das lâminas.

Hidrocefalia: presença de líquido no cérebro.

Diagnóstico Pré-Natal

Pode ser observado através de exames de ultrassonografia (alterações na formação do canal vertebral) e amniocentese.

Avaliação do Recém-Nascido Portador de Mielomeningocele

A anamnese deve ser cuidadosa, incluindo gestação, parto e ocorrência familiar. O exame pediátrico procura malformações associadas, como as cardíacas, pulmonares, genitais, urológicas, abdominais, fenda palatina e ânus imperfurado. O exame da coluna vertebral investiga a localização da malformação, se há ou não perda de LCR e a presença de outras áreas de espina bífida e/ou escoliose. Quanto ao perímetro cefálico, a tensão das fontanelas e o grau de disjunção de suturas são importantes na detecção de hidrocefalia associada. O exame de motricidade deve ser cuidadoso, feito com a criança desperta e aquecida. O estímulo é aplicado com um alfinete acima do músculo a ser testado, para que se possa analisar a atividade motora voluntária sem aparecimento de atividade reflexa. O exame de sensibilidade é extremamente difícil no RN, sendo a resposta lenta.

Tipos Clínicos

Tipo I: a medula enormal até certo ponto, a partir do qual não há função medular ou ela é bastante reduzida; resultando uma paraplegia ou paraparesia intensa do tipo flácido com perda da sensibilidade, arreflexia.

Tipo II: a medula espinal apresenta uma zona, em nível lombar, onde não há função nervosa. Acima e abaixo dessa região, a medula é normal. Ocorre paraparesia flácida e, nos territórios dependentes dos últimos segmentos, pode haver hiperreflexia e espasticidade.

Tipo III: há uma porção da medula dsplásica, entre os segmentos normais. As principais vias medulares aferentes e eferentes são parcialmente preservadas, acarretando paraparesia espástca com perda discreta da sensibilidade.

Tipo IV: há uma transecção completa da medula em nível toráxico, resultando em paraplegia crural espástica.

Exames Complementares

Raio - X
Tomografia Computadorizada
Ultrassonografia
Ressonância Magnética.

Manifestaçõs Clínicas

O tipo e a intensidade das deficiências neurológicas e funcionais dependem da localização e da magnitude da flha. São as seguintes manifestações clínicas que se observam no lactente ou criança com mielomeningocele lombossacra:

1. Paralisia flácida;
2. Atrofia muscular;
3. Diminuição ou abolição dos reflexos tendíneos;
4. Diminuição ou abolição da sensibilidade extereoceptica e proprioceptiva;
5. Incontinência dos esfíncteres de reto e bexiga;
6. Deformidades de origem paralítica e congênita;
7. Hidrocefalia e
8. Pé torto congênito.

Tratamento Clínico

Baseia-se na técnica cirúrgica precoce, visando o fechamento da mielomeningocele ou saco meníngeo dentro das primeiras 48 horas de vida e realização da derivação licórica tão logo se notem os primeiros sinais de hidrocefalia.

Objetivos da Terapia Ocupacional

Estimular o desenvolvimento neuromotor - liberação das vias aéreas, controle da cabeça, rolar, sentar, engatinhar, ajoelhar, ficar de pé e andar;

Diminuir a aderência cicatricial - friccionar a região plástica com creme;

Adequar tônus muscular - através de técnicas cinesioterápicas;

Desenvolver a área sensório-percepto-cognitiva - demandando estímulos de ordem tátil, auditiva, visual, olfativa e gustativa;

Confeccionar órteses conforme a necessidade e

Orientar a família quanto as Atividades de Vida Diária. TOPO

Conclusão

Quanto mais precocemente a criança for avaliada e um bom tratamento for prescrito, mais rapidamente se observa a evolução e menos evidentes serão as sequelas.
A plástica cirúrgica bem realizada e o atendimento clínico eficiente têm influência direta sobre o prognóstico.  

 

Bibliografia

Machad, A - Neuroanatomia Funcional. 2 ed. SP, Atheneu, 1993.

Branco Lefevre, A - Neurologia Infantil.

Memnon Edições Científicas LTDA e ABPC - Associação Brasileira de Paralisia Cerebral, 1996.

Merrit - Tratado de Neurologia - Ed. Lewis P. Rowland.


Libia Ribas Moraes
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