FCD DO MATO GROSSO

 

      Foi certamente na fé do Evangelho de Jesus e ao acreditar nos marginalizados que, no dia 7 de setembro de 1980, aconteceu a primeira reunião da FCD de Mato Grosso através da articulação do padre Luis Augusto Passos (que também trouxe outros movimentos populares ao Estado). Antes, porém, houve um trabalho intenso de visitas, realizado por líderes de associações de bairros.

      A data da 1ª reunião, também não foi escolhida ao acaso, surgiu como alternativa para os deficientes da periferia que, por dificuldade de locomoção, não participavam dos desfiles de 07 de setembro. O encontro aconteceu no bairro Planalto,  em Cuiabá, contando com a presença de mais de 60 pessoas doentes e deficientes. Formou-se uma equipe provisória para a implantação dos  núcleos, composta por jovens da Paróquia da Igreja do Rosário. As primeiras reuniões eram mais festivas, pois notava-se um grande número de pessoas com deficiência mental, crianças e outros com idade avançada. O fato propiciou que as reuniões fossem em tons de tardes de lazer, encontros e momentos onde todos tivessem oportunidades de saírem da rotina de seus lares.

      Até julho de 1981, a  FCD – Cuiabá contou com mais de 30 fraternistas, reunidos em um único núcleo da Igreja de São Judas. No interior do Estado, no município de Nortelândia havia outro núcleo coordenado por João (conhecido como Índio - que ordenou-se Padre em 1985).

      As primeiras pessoas que saíram de Cuiabá para conhecer a FRATER foram Clarice (deficiente) e Deltides, sendo que após sua chegada, em janeiro de 1981, formou-se uma coordenação provisória composta por Clarice (Coordenadora), Dodôra (Vice) e Mário Lúcio (Secretário). Após seis meses, surgiu uma coordenação efetiva, formada por Plínio e Mário Lúcio. Em 1983 a Regional foi oficialmente reconhecida durante a Assembléia Nacional do Rio de Janeiro.

      Em 1985 surgiu a necessidade de nuclear melhor a Fraternidade em Cuiabá, sendo o grande núcleo desmembrado em: Pedregal, Planalto e Novo Terceiro. O apoio, especialmente do Grupo de Jovens da Paróquia do Rosário, foi importante para a implantação dos núcleos. Nessa época a Frater contava com o apoio de colaboradores muito empenhados em levar o movimento ao crescimento.

      Com a expansão para outras paróquias da cidade  e também do interior do Estado, chegou a 11 núcleos (Juara, Rondonópolis, Nortelândia, Arenápolis, Diamantino e Várzea-Grande, no interior do Estado; Pedregal, Planalto, Novo Terceiro, São Judas, Região Central de Cuiabá e Corumbá em Mato Grosso do Sul). 

NÚCLEOS 

      RONDONOPOLIS - Existiu de 1981 a 1986 com a participação de muitos fraternistas  que se reuniam na Igreja Santa Cruz, que contavam com o apoio da família de Pe. João Índio.

      NORTELÂNDIA e ARENÁPOLIS – Existiram de 1981 a 1985 contando com o apoio de Pe. João Índio.

      DIAMANTINO - Houve apenas algumas reuniões que contou com a visita de Maria de Lurdes Guarda, em 1981. 

      JUARA - Houve alguns contatos, visitas de fraternistas de Cuiabá (16/12/86). Em 1989 vieram até Cuiabá, sendo visitados, em seguida, por Mário Lúcio, pois existiam dúvidas se preferiam FCD ou Associação de Deficientes. Após este esclarecimento, optaram pela criação de uma Associação.

      Os núcleos do interior tinham uma característica comum: eram animados pelos padres, principalmente os jesuítas e quando esse religioso mudava de cidade, não havia liderança entre os deficientes para assumirem a caminhada. Em função  disso, todos se desfizeram, tendo como fator agravante a enorme distância entre a Capital e o interior (que chegava até a 800 Km).

       Em 1989, na tentativa de reacender a chama do espírito fraterno, o grupo decidiu formar, novamente, um único núcleo e dar continuidade ao do Novo Terceiro. Um detalhe que chamou atenção é que para realizar uma reunião, eram rodados em média 150 Km dentro da própria cidade. 

      Em1993, com força renovada, o grupo sentiu-se preparado para tentar desmembrar-se outra vez. Surgiram os núcleos do Coxipó, Praeiro, Centro e o de Várzea Grande foi reativado.

      No mesmo ano iniciou-se o cultivo dos núcleos do CPA, Planalto e mais outro no município de Juscimeira (180Km de Cuiabá). Um fato interessante é que desde 1989 o movimento sobrevive sem o apoio efetivo da Igreja. 

GRUPO DE TEATRO  

      Em 1980, os fraternistas que faziam tratamento no Centro de Reabilitação Dom Aquino Correa, fizeram uma apresentação Natalina, por mímica e esse  fato provocou questionamentos entre os participantes. Em 1981, com o apoio de fraternistas de vários núcleos e com mais experiência de vida de cada um, houve uma segunda apresentação, desta vez com fala, da peça de teatro "E agora, José".

      Em função de ser o Ano Internacional da Pessoa com deficiência, surgiram diversas oportunidades. A 1ª apresentação aconteceu na Igreja de  São Pedro, no bairro Praeiro, no dia 24/12/81. Durante 4 anos a peça foi apresentada nos teatros (da Universidade Federal de Mato Grosso, Escola Técnica Federal, Escola São Gonçalo, Igreja São Judas Tadeu, Centro comunitário do bairro Pedregal). Além do interior do Estado (Nortelândia, Arenápolis, Poconé, Barão de Melgaço, Rondonópolis) mostravam a realidade da vida, tanto das pessoas deficientes quanto de pessoas oprimidas e marginalizadas, criticando e trazendo enorme bagagem de conscientização. A peça de teatro fez aflorar sentimentos e ampliar a participação na luta pelos direitos.

PROGRAMA DE RÁDIO .

      Surgiu em 1982 a idéia de fazer um programa que atingisse aqueles que ainda não conseguiam chegar a uma reunião da fraternidade, sendo veículo de informação e subsídios para reuniões de núcleos. O programa tinha por objetivo fazer uma FCD unida entre si e a outros movimentos na luta pela construção de uma sociedade justa e humana.

      Os primeiros apresentadores do programa “VIDA NOVA CONSTRUINDO FRATERNIDADE” foram Luís Freitas, Pe. Luis A. Passos, Pe. Hugo Plitcher, Leonil H. da Silva, Mário Lúcio de Jesus, Carlos César.

       Inicialmente, o programa era gravado na Igreja de São Judas Tadeu e transmitido pela Rádio Difusora Bom Jesus de Cuiabá, tendo como patrocinador uma empresa privada, do ramo de produtos hospitalares. O programa foi apresentado até 1985 e acabou por falta de patrocínio. 

ESCOLA DE EDUCAÇÃÇÃO ESPECIAL VIDA E FRATERNIDADE 

      Em 1981, durante uma reunião do núcleo Planalto, levantou-se a dificuldade dos deficientes em terem uma escola que os recebesse, sendo que o caso mais conhecido era o do menino Rodrigo (que tinha poliomelite e usava cadeiras de rodas).

      Surgiu a idéia de um Centro de Educação especial. Inicialmente, as aulas foram ministradas em uma sala anexa da Escola Fé e Alegria, sendo Carlos César, Mariley e Mário Lúcio os professores. A escola funcionava na periferia, com modelo educacional baseado em Educação Popular. Após 4 anos de luta, as aulas deveriam ser ministradas em um ônibus desativado para chamar atenção das autoridades porém, Mário e Mariley não concordaram por ser um local insalubre.

      Em 1984, instalaram-se em um prédio abandonado do Centro Comunitário do bairro Planalto e com a colaboração das crianças e vizinhos limparam e ocuparam o prédio.

      Em 1988, deixou de ser uma sala anexa e começaram as cobranças para registrar o Centro de Educação Especial. Como a Assembléia da frater definiu que a FCD não poderia ter registro em nível regional, a escola Fé e Alegria registrou o Centro.

       Em 1991, iniciou-se a construção do novo Centro via convênio Fé e Alegria e um projeto vindo da Holanda. Em função do bloqueio das contas no Governo Collor, Fé e Alegria queria usar o dinheiro do projeto de construção para o pagamento dos funcionários, iniciando-se o desgaste com os membros da Fraternidade que ali trabalhavam.

      Em 1992, a escola já estava em pleno funcionamento com 35 alunos, em média e com 05 professores. O Centro funciona até hoje, porém sem nenhum vínculo com a Fraternidade e todos os funcionários que participavam da FCD foram demitidos.

EQUIPES REGIONAIS  

      A 1ª. Coordenação provisória da FCD/MT era formada por Clarice, Dodôra e Mário Lúcio. Por motivos pessoais, Clarice necessitou afastar-se e Dodôra assumiu por 06 meses.

      As coordenações seguintes foram:

1981-1983 - Plínio e Mário Lúcio.

1983-1986 - Plínio e Mariley

1986-1989 – Mário Lùcio, Plínio, Mª Auxiliadora, Leonil e Cida Cansado.

1989-1991 - João Hipólito, Mª Auxiliadora, Lourenço,Celso e Leonil.

1992-1995 - Márcia, Mariley, Cida Lima, Pe.Tencate e Irmã Zilda.

1995-1998 - Anísia, Márcia,Cristiane, Pe.Tencate e Pastor Teobaldo.

1998-2000 - Ambrósio,Marcione, Jusaura e Farias.

2000-06/2003 – Marcione, Amanda, Luiz Santana, Jusaura e Helena.

06/2003 -08/2005 – Remy             

08/2005 – 03/2008 – Lourenço, Marcione, Aparecida Cansado,Ayr e Clemente.

      No início da Frater em Mato Grosso , o trabalho desenvolvido tinha o apoio da comunidade e da Igreja, o que fez o movimento ampliar-se sensivelmente porém, em 1989 o movimento passou por uma fase de declínio pela falta de colaboradores e de lideranças entre os deficientes que eram dependentes do apoio destes grupos.

      Em 1981 a Frater conseguiu, com o apoio do Bispo Dom Bonifácio, a compra de uma Kombi (carinhosamente apelidada de Joaninha), conseguido com o dinheiro da coleta da Campanha da Fraternidade.

      Em 1987, através de um projeto para a ADVENIAT e empréstimo da Igreja do Rosário, comprou-se uma caminhonete D-l0 e vendeu-se a Kombi.

      A caminhonete servia para o transporte dos fraternistas dos núcleos e para a Regional.

      A coordenação de 1989 a 1991 foi em regime de colegiado numa tentativa de fortalecer os Núcleos (que eram somente dois) e a Regional porém, muitos saíram algum tempo depois, permanecendo somente Lourenço e Celso.

      Em 1992 tentou-se trazer os conselheiros para fortalecer a caminhada da FRATER, porém, somente permaneceu Pe.Tencate (que tem participação ativa no movimento dos sem-terra e no centro de direitos humano) e Irmã Zilda afastou-se por motivo de doença.

      No período dessa Coordenação (1992-1995) conseguiu-se desmembrar o Núcleo Integrado Cuiabá/Várzea-Grande em 03 núcleos. Houve um intenso trabalho de formação o que possibilitou esse crescimento.

      O sonho da fraternidade era ter sua sede própria e em 2000, na coordenação de Ambrósio, com um projeto feito junto com a irmã Cleofa da coordenação das irmãs da Divina providência. A mesma foi portadora da nossa mensagem às irmãs da Holanda, as quais tiveram contato com o nosso projeto e nos contemplaram com o dinheiro para a realização da compra de nossa sede com os equipamentos (mobiliário) e mais a compra de um carro o qual adquirimos uma kombi, restando ainda uma quantia em caixa da FCD, sendo repassado para a coordenação posterior.

      Em meados de 2003 a FCD, já em atraso com a eleição, passa novamente por uma coordenação provisória, a qual tinha como objetivo dar continuidade a situação administrativa e formação da base. Porém, não teve êxito.

      Em agosto de 2005, houve a Assembléa eletiva em Chapada dos Guimarães, na qual foi eleita a atual coordenação, sendo o seu maior desafio o desmembramento de núcleos e formação de novos. Reanimados para o trabalho de base, teve eleições para as coordenações dos núcleos do CPA, Pedregal, Santa Izabel e Coxipó, cultivando  vagarosamente novos núcleos no Pedra 90 e Várzea Grande.

      Sabemos que o Movimento, seja qual for, tem seus declínios e elevações, gostaríamos que sempre estivesse em elevação porém é lei natural.

FORMAÇÃO

      A Frater de MatoGrosso sempre teve dificuldades em ter uma comissão responsável pelo trabalho de formação, sendo que Regional, muitas vezes, acumulava função. Apesar disso sempre se priorizou a visita e o contato pessoal.

      Entretanto, houve um grande avanço pois os deficientes, no início, percebiam a FCD somente como um espaço para sair de casa e lazer. Os encontros e retiros tinham que ser em locais que propiciassem um banho de rio.

      Outra característica é que os encontros eram com grandes grupos, o que dificultava a participação dos mais introvertidos. Durante o estudo do livro do Êxodo, em 1993, iniciou-se os encontros por núcleos, em pequenos grupos e, somente depois da discussão aprofundar-se, ampliava-se para o grupão.

      O trabalho foi repetido com êxito durante o Estudo do Novo nas relações e também do Estudo do Livro de Isaías (1995).

      Ainda enfrentamos falta de lideranças, falta de motivação e compromisso, dependência da caminhonete para o transporte, fazendo com que o movimento passe por fases de altos e baixos.

      Cabe salientar que o movimento tem intensa participação e integração com movimentos populares e principalmente com o movimento Ecumênico (este fortaleçe muito a espiritualidade do movimento).

      No final de 1997, houve novamente um declínio do movimento, onde novamente os núcleos não continuaram seu trabalho de base, visto que a coordenação passava por alguns problemas.

      No início da coordenação de 1998, houve novamente o trabalho de reativação dos núcleos, sendo os Santa Izabel, Coxipó e Planalto. No CPA que havia proposta desde 1993, então em 1999, foi efetivado.

      Tivemos dificuldades em separar o trabalho de base com a estadual, tornando-nos um grande grupo, mas isso aconteceu porque a FCD não cultivava a formação de lideranças (conselheiros, colaboradores e coordenações).

      Somos os escolhidos para continuar esse magnífico trabalho, nos satisfazendo como ser humano e respondendo o nosso chamado à vida.

Avaliação da X Assembléia Estadual Eletiva de Mato Grosso 

Atribuir notas de 0 a 10 para cada questão. 

  1. Domínio do conteúdo abordado na palestra.
  2. Conteúdo.
  3. Em relação à clareza na exposição dos temas e nas respostas às dúvidas.
  4. Cumprimento da carga horária para o desenvolvimento das atividades.
  5. Organização da assembléia

a) Interesse pelos temas abordados;

b) Atingiu as expectativas

  1. Relacionamento e participação nas atividades.
  2. Fatores externos e internos que interferiram positivamente no seminário:

a)Iluminação

b)espaço físico

c)animação

d)equipamentos eletrônicos

e)coordenação do evento

f)transporte

  1. Críticas
  2. Sugestões