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Ô
trem danado sô! Resolvi tirar uns dias para passear, algo que eu já devia ter feito a mais tempo, e como também gosto de uma praia, fui até Guaraparí. Tirando o desconforto da falta de banheiros acessíveis nas hospedagens e nos quiosques à beira mar, até que foi muito bom o passeio. Na
volta, resolvi vir de trem, para recordar os tempos de criança e por ser
um meio de transporte muito agradável. Escolhi o vagão classe econômica,
pois toda criança que se preza, gosta de viajar é na janela, vendo as
paisagens, as pessoas que acenam, as cidades que passam.
O executivo não tem essa graça e charme. Chegando
á estação de Pedro Nolasco me dirigi ao banheiro que para minha não
surpresa ainda não foi adaptado para usuário de cadeira de rodas. Pelo
menos não vi nenhuma indicação de que havia um no local. Já
dentro do vagão, é que percebi um espaço que talvez seja o que
eu procurava e o que
indicava que poderia ser um banheiro adaptado, era a presença de
uma cadeira de rodas , tão antiga quanto a Estrada de Ferro Vitória-Minas,
e que possivelmente era oferecida a alguma pessoa com deficiência. Viajei
com essa dúvida. Mas,
alguma coisa já havia mudado para as pessoas com deficiência, que se
destinam a Belo Horizonte, é bom que se diga. É que , como sou de
Itabira e não de BH, comprei minha
passagem para embarcar no vagão P1, como todos os outros itabiranos
lá presentes. Aí comecei a me sentir incomodado. O vagão que vem
para minha terra não possuía
adaptação para favorecer o meu acesso. Só o de Belo Horizonte contava
com essa conquista. Então me encaminharam para o vagão que ia para a
capital mineira, o P3. A adaptação consiste na retirada de alguns
assentos na parte de traz do vagão , a improvisação de uma rampa,
a colocação de uma barra de apoio para as mãos e
do símbolo internacional de livre acesso para garantir a reserva
do local. Viajei agradavelmente sentado na minha própria cadeira de
rodas, mas incomodado com o fato de terem me separado
dos meus conterrâneos, e com a pergunta na minha cabeça. Por quê
adaptaram o trem que vai para BH e não fizeram o mesmo com o da
minha cidade? Durante a viagem os conferidores de passagens, estranhando a
minha presença e de meus acompanhantes naquele vagão alertavam, esse vagão
não vai para Itabira. Então tínhamos que explicar o porque de estarmos
ali feito estranhos no ninho. Bom, a viagem seguiu, consegui me distrair
com as paisagens, com os trabalhadores ao longo da ferrovia, que sempre
interrompiam o trabalho para verem o trem passar, e acenavam.Comprei
doces, me deliciei, até voltar o martírio da inquietação. E piorou. Ao
chegar Ps.
Por que será que a Vale do Rio Doce está contratando pessoas com deficiência
de outras cidades para cumprir a reserva de vagas
prevista em lei e não está fazendo o mesmo para com os de
Itabira? Moisés Damião de Souza. - MG |