Uma experiência dos sete mares.....

 

Queridos companheiros e companheiras da fraternidade do Brasil.

No ano de 2000 fui convidado, através de uma assistente social da casa de apoio ao deficiente da cidade de Jundiaí SP, a participar de um workshop sobre mergulho adaptado. Na verdade não sabia exatamente do que se tratava, mas como sou curioso e aventureiro “paguei para ver” e fui.

Num domingo maravilhoso de sol celebrava a vida, um grupo de instrutores de mergulho de uma escola chamada “Aquascuba” estavam à beira de uma piscina cedida pela prefeitura e uns 20 deficientes ouvindo atentamente as instruções. Falaram que se tratava de um projeto que buscava incluir as pessoas com deficiência em atividades de mergulho recreativo, e que aquele momento era só uma pequena amostra de tudo que seria possível viver como aspirantes a mergulhadores. Após uma explanação de cerca de 30 minutos, passaram a equipar os deficientes (colocaram uma roupa de neopreme, cilindro de ar comprimido, colete, respirador) em fim uma parafernália de equipamentos que nos deixam parecidos com astronautas. Enquanto tudo isto acontecia, nos divertíamos e dávamos muitas risadas vendo a reação de cada um.

Dada às últimas instruções éramos colocados na água um a um sob a supervisão de um instrutor de mergulho.

Ao entrar na piscina ficávamos flutuando, pois um colete inflado não nos deixava afundar. Então colocamos a mascara e o respirador na boca, esvaziamos o colete e lentamente fomos afundando na piscina, sempre sob o olhar atendo do instrutor.

Que maravilhoso ver que com todo aquele equipamento desenvolvido por Jack Custo pode-se ficar e respirar em baixo da água. Fiquei deslumbrado com aquela possibilidade, embora a piscina não tivesse mais de 3 metros de profundidade a sensação de liberdade e leveza foi transcendental, realmente incrível. Após uns 30 minutos éramos retirados da água, mais aquela sensação de liberdade parecia nos acompanhar para fora da piscina.

Como este tipo de atividade esportiva tem um custo significativo, tentamos um patrocínio para que quem tivesse interesse em dar continuidade e pudesse fazer o curso. O passo subseqüente, após o curso seria um mergulho no mar. Infelizmente não conseguimos o tal patrocínio e o sonho ficou suspenso para muitos de nós. Mais dentro de mim à vontade de dar seqüência àquela atividade continuava muito forte, e em novembro de 2003 consegui dar continuidade àquela experiência que me mostrou que os limites foram feitos para serem superados.

Contatando novamente com os instrutores da escola fiz o curso teórico, aula de piscina e finalmente o meu batismo que ocorreu no mês de novembro de 2003, na ilha grande em Angra dos Reis, Rio de Janeiro. Que maravilhoso! Se antes eu estava deslumbrado com as possibilidades criadas com a atividade de mergulho adaptado, estar no mar interagindo com a natureza, completa de forma extraordinária esta aventura. Por sorte existia uma equipe da rede minas de televisão que fez uma matéria sobre o meu primeiro mergulho em Ilha Grande , um relise deste programa pode ser visto no site da escola www.aquascuba.com.br na sessão download.

Bem, vale dizer que não parei mais. Tenho, à medida do possível, ido algumas vezes ao ano com esta equipe que me preparou de forma muito responsável e competente para viver estas aventuras na Ilha Grande onde a natureza oferece a possibilidade de comunhão plena e que a limitação se dilui imensamente, desvelando potencialidades.

Continuo a me aprimorar, fiz o curso básico, depois o avançado duas estrelas que me permite mergulhar à noite e o que posso dizer é que me sinto um mergulhador de primeira classe, e que se os limites existem em nossa vida são para ser transpostos.

Abraços fraternos a todos e todas.

Marco Bala – Jundiaí – SP.