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A ESPERANÇA VENCENDO A DECEPÇÃO |
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PENSANDO O BRASIL |
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Pedro Casaldália. Os
grandes meios de comunicação e os grandes do dinheiro se refocilam com
essa situação do PT e também do Lula, que pelo PT chegou à presidência.
Esses grandes são hipócritas e cínicos. A corrupção vem de longe e
antes era maior e era a corrupção deles. Só que não aparecia ou não
era julgada. Também é necessário sublinhar, para que certos partidos não
se considerem agora imaculados e salvadores, que ainda o PT continua a ser
o maior partido do povo e para o povo, no Brasil, e que há muito PT,
sobretudo nas bases, que não é corrupto. Certamente,
o PT (e com ele o Governo de Lula) tem que reconhecer suas culpas e
aprender a lição. Certas alianças só levam a certas concessões e a
certas claudicações. O fim justo não justifica os meios injustos. E o
Partido e o Governo não são o fim. A reeleição não é o fim. Não se
deve assegurar o poder para continuar no poder mas, em todo caso, para
servir ao povo. Já sabemos, por longa experiência mundial, que o poder
facilmente corrompe. Rubem Alves escreve muito sabiamente: "A política,
como vocação, é a mais nobre das atividades do ser humano; como profissão,
a mais vil". O
PT-cúpula tem que entender também que o Brasil povo não precisava nem
queria continuar sendo uma colônia do FMI ou do BM, nem um escravo do
sistema financeiro, nem uma marionete das elites privilegiadas. Para isso,
bastava continuar com os partidos da direita e suas corrupções de
sempre. O Brasil-povo necessitava e queria se libertar do sistema
neoliberal, das multinacionais espoliadoras, das privatizações
entreguistas, do arrocho salarial, da oligarquia sugadora, da política
podre, em fim. O Brasil-povo necessitava partir para outra política. Para
uma política popular e social, a cujo serviço estaria a política econômica.
Já chega de ter que reconhecer que o Brasil está bem quando o povo está
mal. A política não é para o governo e o governo não é para o
capital; são, devem ser, para o povo, para a vida. Primeiro a mesa de família,
depois a exportação. Primeiro as dívidas internas, essenciais; depois a
dívida externa. E, no dia a dia, menos publicidade e mais reforma agrária
e mais emprego e mais quilômetros de estrada boa e mais SUS eficaz em
todos os cantos do País... Os
sonhos do povo e as promessas da campanha foram traídos. A esperança
estava vencendo o medo, quando a decepção caiu sobre o povo, mais uma
vez, como uma fatalidade histórica. Será mesmo que este Brasil de todos
os jeitinhos não tem jeito?. Entidades
políticas, sociais, sindicais, culturais, religiosas, a cidadania, a
sociedade civil, vêm lançando manifestos e programas. "Ética na
política. Pelo fim da impunidade, por justiça para todos e todas",
é o manifesto de várias entidades ecumênicas, como a CESE, o CONIC, a
CLAI. Mais de 50 movimentos sociais lançaram a "Carta ao Povo
Brasileiro", "contra a desestabilização política e a corrupção;
por mudanças na política econômica, pela prioridade nos direitos
sociais e por reformas políticas democráticas". O deputado federal
Ivan Valente (PT/SP) escreve oportunamente: "Podemos estar perdendo
uma chance histórica de mudança... Se trata de saber se o projeto histórico
que levou o Lula ao governo federal foi derrotado em quanto projeto político,
por não ter feito a mudança social a que se comprometeu". E o sociólogo
Emir Sader concretiza: "É preciso fazer um balanço autocrítico...
Retomando os temas fundamentais da esquerda, começando pela ética na política
e pela prioridade das políticas sociais, mas, também, por um modelo econômico
centrado no mercado interno de consumo popular, pela reforma agrária,
pela economia familiar camponesa, pela luta contra os transgênicos, pelos
direitos dos povos indígenas, pela defesa da Amazônia, pelo orçamento
participativo, por uma reforma política democrática e pluralista, pela
integração latino americana e do Sul do Mundo...". Tudo
isso? Pois sim, tudo isso, cada dia, vencendo o medo, vencendo a decepção,
dando cada um de nós tudo de nossa parte e exigindo de quem pode e tem
que dar, porque é autoridade, com responsabilidade maior. Além
de vencer a decepção, temos que vencer também o servilismo, limpar a própria
corrupção quiçá e reforçar nossa participação na política, que
continua a ser "uma das maiores expressões do amor cristão", a
pesar de tudo o que se passa no Congresso e aparece na televisão e brota
no coração da gente. |