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Cartas ajudam doentes na Paraíba |
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Em seu leito, Abílio Nascimento incentiva portadores de necessidades especiais a superar depressão e solidão Fernando de Oliveira A total impossibilidade de se locomover nunca fez com que o escritor pombalense Abílio Vieira Nascimento, 73 anos, desistisse de ajudar outras pessoas através das cartas com palavras de conforto. Há mais de meio século vivendo em cima de uma cama, ele viu nas correspondências uma forma de auxiliar outros portadores de necessidades especiais que passavam pelos mesmos problemas de depressão e angústia vividos por ele, decorrentes de uma artrite reumatóide que lhe tirou os movimentos. Deste trabalho nasceu, em 1996, o Núcleo de Fraternistas Correspodentes (Nufrac), rede de troca de amizade através de cartas, que tem mais de 400 inscritos em todo o país e vem ajudando pessoas (portadoras ou não) a se livrarem do isolamento e da falta de perspectivas. Sentido-se abandonado e triste, Abílio (que reside no bairro do Valentina Figueiredo, em João Pessoa) resolveu pegar em uma revista endereços de pessoas que passavam pelos mesmos problemas, com o objetivo de trocar experiências e mandar mensagens de conforto. "Minha correspondência aos poucos foi se ampliando e cresceu mais ainda depois da minha entrada na Fraternidade Cristã dos Deficientes (FCD). A partir daí nasceu o Nufrac, depois do convite de um jornalista carioca chamado Gustavo Joppert, que era tetraplégico", lembra. O escritório do Núcleo funciona no Rio de Janeiro, na residência do jornalista Gustavo Joppert, um dos idealizadores do projeto, que era tetraplégico e morreu em 1999. Atualmente, a coordenação está a cargo da esposa do jornalista. A sistemática é a seguinte: voluntários recolhem nomes e endereços de pessoas enfermas e portadores de necessidades especiais, que são enviados para outros fraternistas, formando, assim, a rede. Visitas aos pacientes Na Paraíba, o trabalho de recolhimento é feito pelo colaborador Manoel Inácio que diz que a atuação do grupo ultrapassa o trabalho de envio de correspondências. "Começamos com as cartas, mas sempre procuramos estender fazendo visitas e vendo de perto a realidade narrada pelas pessoas. Por causa disso, já chegamos até mesmo a conseguir uma cadeira de rodas para uma de nossas amigas", revela. Manoel revela que, sempre que vê uma pessoa triste e deprimida por algum motivo, procura incluí-la no grupo. "Olhamos para todas as pessoas independente de sua religião ou raça e de ser portador de necessidade especial. As nossas cartas têm modificado a vida de muitas pessoas", afirma. Ele conta que o recebimento das mensagens vem ajudando os portadores a melhorarem a sua auto-estima e encorajando para que eles tenham vontade de continuar vivendo. "Muitos deles são pessoas que não saem de cima da cama e dependem, em tudo, dos familiares. Isso gera uma solidão e uma carência muito grande que podem ser amenizadas pelas palavras de um amigo por correspondência. O melhor é que eles trocam também livros e fotografias, além das palavras de ânimo e conseguem arranjar verdadeiros amigos", declara. Endereços Por ter conhecimento de quase todos os integrantes paraibanos da rede, muitas vezes o próprio Manoel distribui os endereços. E entre as fraternistas paraibanas mais requisitadas por ele estão as irmãs Josélia e Rejane Baltazar, que entraram na rede há um ano e já tem mais de 60 correspondentes. O cuidado com a apresentação das cartas feitas por elas e o teor das mensagens tem ajudado portadores de todo o país. Josélia teve um problema congênito que a impossibilitou de andar e Rejane teve paralisia infantil. Isoladas em uma comunidade rural do município de Mamanguape, elas só tiveram conhecimento do Nufrac quando, em visita a João Pessoa, encontraram com Manoel. "Percebi que elas eram bastante tímidas por causa da deficiência. Resolvi chama-las para o grupo e hoje elas são queridas por todos que compõe a rede. Todas as cartas são muito bem cuidadas e isso chama a atenção", afirma Manoel. As duas se mostram bastante contentes com a nova missão e dizem que fazem as cartas com todo o carinho e amor.
TIO ABILIO
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