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CF 2006 – FRATERNIDADE E PESSOAS COM DEFICIÊNCIA |
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Francisco Nuncio Cerignoni (Chico) FCD – Piracicaba/SP 1. UMA POPULAÇÃO INVISÍVEL Segundo o Censo de 2000, há na população brasileira cerca de 24,6 milhões de pessoas com algum dos tipos das deficiências pesquisadas correspondendo a 14,5 % da população. A taxa brasileira de pessoas com deficiência é compatível com outros países que utilizam o mesmo parâmetro, como a Áustria (14,4%), Espanha (15%), Inglaterra (12,2%) e Noruega (13%). O censo revelou ainda que os dados de deficiência variam de acordo com a região do País. Norte e Nordeste têm as maiores proporções (16,1% e 16,7%, respectivamente) de pessoas que afirmaram ter, pelo menos, uma das deficiências investigadas pelos técnicos. Em nível regional, a Paraíba foi o Estado que apresentou a maior proporção de população com pelo menos uma deficiência (18,8%), e São Paulo foi o Estado que teve a menor incidência (11,4%). Do total da população com deficiência 48,13 % possuem deficiência visual; 22,96 % motora; 16,58 % auditiva; 8,23 % mental ou intelectual e 4,09 % deficiência física. Cerca de 10 milhões de pessoas possuem deficiências múltiplas. As mulheres são as mais afetadas com as dificuldades para ver, o que se explica porque elas têm maior expectativa de vida que os homens. Elas também são maioria nas dificuldades motoras. Os homens sofrem mais de distúrbios mentais, físicos e auditivos. Pelos dados do censo, a distribuição da população com deficiência se dá da seguinte forma: 80,3 % residem na zona urbana e 19,7 % na zona rural; 46,42 % são homens e 53,58 % são mulheres; 8,79 % tem idade de 0 a 14 anos, 69,41 % tem de 15 a 64 anos e 21,8 % tem 65 anos ou mais; 51,14 % são da cor/raça branca, 7,5 % da preta, 0,43 % da amarela, 39,85 % da parda, 0,51 % da indígena. 2. FATORES QUE SUSTENTAM A EXCLUSÃO Em todas as sociedades existe certa "cultura da exclusão", ou seja, um conjunto orgânico de atitudes, crenças, conceitos e hábitos que sustentam as barreiras que um grupo ergue contra outro. O Paternalismo, como expressão de uma mentalidade de dependência, é sempre uma ação de cima para baixo, de alguém que detém o "poder" e o exerce oferecendo algum "benefício". Valoriza o ter não o ser. A Ditadura do corpo ideal, que desde a antiguidade tem referências mostradas nas artes. A valorização excessiva da estética corporal leva a excluir aquelas pessoas que não possuem um "corpo perfeito". Por outro lado, considerar uma pessoa com deficiência como superior aos mortais comuns acaba conduzindo ao isolamento e ao preconceito. Elevar a pessoa acima de si mesma tem o mesmo efeito que rebaixá-la: trata-se sempre de compensar aquela característica que a sociedade tem dificuldade de tolerar. Na tradição cristã tanto bênção como maldição faziam parte da herança familiar. A família inteira respondia pelo pecado de um de seus membros. Se a deficiência era vista como maldição, como castigo divino pela infidelidade, as pessoas com deficiência eram um sinal verídico da desgraça familiar, prova de culpa, motivo de vergonha. Já a pureza tratava-se de uma categoria litúrgica, que indicava a possibilidade de convivência social e de acesso ao culto. Somente corpos saudáveis e "normais" eram considerados aptos ao louvor de Javé. O impuro tinha poder de contaminar o puro, e não o contrário (cf. Lv 13,45-46). Ainda hoje as deficiências conservam certo status de impureza, principalmente na questão do acesso aos sacramentos. O Novo Testamento dá testemunho de uma interpretação corrente no primeiro século: a da deficiência como possessão demoníaca. A deficiência seria uma característica causada pela influência de espíritos impuros. O exorcismo seria, pois o caminho para sua erradicação (Mt 17,14-21). A deficiência não é falha nem castigo, manifestada por algum pecado próprio ou dos pais; tampouco é um fatalismo, que exige submissão. Isso ajuda a encobrir ou tentar justificar o preconceito social que espalha a opressão e a ordem injusta, que causa e provoca doenças e deficiências. "Uma civilização é julgada pelo tratamento que dispensa às minorias" (Gandhi). 3. FATORES QUE SUSTENTAM A INCLUSÃO OU A SUPERAÇÃO DA EXCLUSÃO A Fraternidade é dom e serviço de Deus na comunidade. É uma chamada a sermos missionários na Fé, apoiada no amor de Deus e no compromisso com a vida. Assume o desafio de desenvolver na pessoa enferma e com deficiência a consciência de ser como o Servo de Deus, de que fala o profeta Isaias (Is. 42, 1-9; 49, 1-6; 50, 4-9; 52, 13-53; 61, 1-2). Ele é portador de esperanças para todos que afirmam Deus como Pai Libertador. Recupera a consciência da história concreta de cada pessoa, suas dúvidas, suas angústias, limitações e temores (cf. Mt 11, 28) sua cidadania, sua esperança, fé e valores de vida, que, resgatados no convívio fraterno, se tornam lugar concreto de revelação de Deus (CF. Jo 4, 7-21 e Rm 8, 28) e renovação do sentido da vida. Os direitos humanos e civis, a legislação nacional e internacional é expressão do poder da mobilização das pessoas com deficiência, porém falta sua implementação e por esse motivo não de deve deixar de mobilizar. Só quando são reconhecidos os direitos dos mais frágeis é que uma sociedade pode considerar-se fundada sobre o direito e sobre a justiça. Também à pessoa com deficiência deverá ser facilitada para que participe na vida da sociedade e apoiada a realizar todas as suas capacidades de ordem física, psíquica e espiritual. "Entre os direitos que se devem garantir, não se podem esquecer o direito ao estudo, ao trabalho, à casa, à superação das barreiras, e não apenas das arquitetônicas!". (Jubileu dos portadores de deficiência, discurso do Papa João Paulo II, 3/12/2000). A pesquisa científica, por seu lado, é chamada a garantir todas as formas possíveis de prevenção, tutelando a vida e a saúde. Quando a deficiência não tem cura, é sempre possível libertar as potencialidades que ela não elimina. São potencialidades que devem ser apoiadas e incrementadas pois, além de restituir funções danificadas, a reabilitação ativa outras e impede a decadência. 4. "LEVANTA-TE, VEM PARA O MEIO" (Mc. 3,3) Esse é o lema da atual Campanha da Fraternidade que primeiramente deve ser entendido como um convite, um apelo dos seguidores de Jesus Cristo, uma convocação que é feita às pessoas com deficiência no sentido de deixarem a situação de abandono e isolamento em que se encontram e venham participar da vida social, eclesial e comunitária; é dirigido a todos: pessoas com deficiência, com qualquer tipo de deficiência, seja física, sensorial ou mental e também às pessoas sem deficiência. É um convite para que as pessoas com deficiência sejam mais visíveis na sociedade e assim possam ser protagonistas na construção da justiça e da fraternidade. É evidente que o convite requer um esforço do convidado, mas também de quem convida e da sociedade em geral. Não exime, portanto, a responsabilidade de ninguém na adequação dos ambientes e na eliminação de preconceitos. Apóia e incentiva a luta das pessoas com deficiência em cobrar dos órgãos públicos as parcelas de responsabilidade que lhes compete. É importante conscientizar que quem convida, porque reconhece o valor de alguém, tem que se abrir às riquezas pessoais de seus convidados, desejar aprender com eles, reconhecer que eles têm algo a ensinar e tem uma contribuição importante a dar, tanto para a construção da sociedade quanto para o enriquecimento humano de seus pares; é essa energia que desperta o coração humano para acolher os diferentes; para reconhecer o outro; para tornar-se solidário com os excluídos e estender-lhes as mãos; para juntos trabalharem em prol da eliminação das injustiças e para construírem a paz entre os homens. 5. GESTO CONCRETO DE FRATERNIDADE É a contribuição em dinheiro para compor o FUNDO DE SOLIDARIEDADE. A coleta é realizada no Domingo de Ramos, dia 9 de abril de 2005 ou durante toda a quaresma. Dos recursos arrecadados 60 % constitui o Fundo Diocesano de Solidariedade (FDS), gerido pela própria diocese; os 40 % restantes compõem o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), gerido pela Cáritas Brasileira. Os recursos arrecadados serão destinados prioritariamente para:
Os projetos para utilização dos recursos de âmbito diocesano deverão ser encaminhados para as próprias dioceses. Já os projetos mais abrangentes, de âmbito regional ou nacional, deverão ser encaminhados para: |