DIRETRIZES PARA A FORMAÇÃO A NÍVEL NACIONAL

Aprovadas na X Assembléia Nacional                                                                                         15 a 23 de fevereiro de 1997. Florianópolis - SC

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Os grandes desafios que se apresentam neste final de século e milênio à humanidade estão presentes na vida da FCD, quer seja no compromisso cotidiano de cada fraternista na luta pela cidadania e garantia das políticas, necessidades básicas de alimentação, moradia, saúde e educação, quer seja nos trabalhos e mobilizações mais amplas a nível da conjuntura e estrutura sócio-econômica e política do país.

Neste contexto é prioridade a formação da consciência crítica, do intelectual orgânico em cada fraternista, para termos um a base, um movimento popular conseqüente e transformador, entendendo-se que isso passa por um sério e bem articulado processo de formação, no qual a presente diretriz está comprometida.

Estas diretrizes são o resultado da sistematização das contribuições dos comitês, Sul, Sudeste e Centro Oeste, Norte e Nordeste, da Assembléia Latino Americana, dos Encontros Nacionais de Formação e da X Assembléia Nacional. Este documento é um instrumento de trabalho, para ser discutido e subsidiar os representantes das Estaduais, a fim de elaborarem seu plano de formação adaptando-o à realidade local.

Apresentar-se-á aos fraternistas uma proposta de questões fundamentais que não podem deixar de conter o processo de formação da FCD do Oiapoque ao Chuí.

OBJETIVO GERAL

Proporcionar condições para cada um dos fraternistas superar seus conflitos pessoais, na descoberta de seus valores, despertar para a consciência coletiva, solidária e de forma participativa assumirem o processo de sua história como cidadãos e agentes de transformação, contribuindo para a sua libertação humana e transcendente. (Objetivo elaborado no VII Encontro Nacional de Formação – São Paulo)

METODOLOGIA

a) Em todo processo formativo utilizar-se-á de uma METODOLOGIA participativa e dialética (Popular). (Observação: Pode-se colocar em anexo as características desta metodologia).

b) A formação desenvolver-se-á em três etapas – a curto, médio e longo prazo – cada um com um objetivo geral, desdobrado em específicos. A consecução de cada objetivo específico permite atingir o objetivo geral da etapa e a consecução dos objetivos gerais das três etapas e possibilitará que se atinja o objetivo geral de formação.                                                                                                                                    c) Para a consecução dos objetivos específicos em cada etapa sugerem-se conteúdos e indicam-se meios que são coerentes com a metodologia sugerida.       

d) Querer viver e buscar a CONSCIENTIZAÇÃO desses objetivos em todas as circunstâncias da vida.

e) Estabelecer parcerias com grupos e movimentos afins.

f) Em todos os níveis do processo incluir espaços de avaliação e celebração.

g) Para quem já atua na Frater, esses objetivos interagem e se sustentam mutuamente.

PRIMEIRA ETAPA – (Curto Prazo)

Significa os primeiros passos de quem se integra na FCD

Objetivo Geral

Colaborar com cada pessoa, e especialmente com os portadores de doenças e/ou deficiências, a realizar um encontro consigo mesmo, a reconhecer e a aceitar sua realidade e despertar o amor e a valorização de si mesmo e dos demais.

Objetivos Específicos

  a)  Conhecer-se, desenvolver a auto-estima e a auto-confiança.

b)  Descobrir seus limites, complexos, valore e potencialidades.

c) Aprender a valorizar-se e valorizar a família e as demais pessoas.

d)  Aprender a lidar coma doença e com as deficiências.

e) Animar-se no desejo de viver pela amizade, amor e compreensão, aprofundando e cultivando relações com a família e a comunidade, que possibilitem a integração.

f) Buscar a integração sexual e afetiva no conjunto das relações.

g)  Iniciar na Mística e na Espiritualidade do Movimento.

h)  Cultivar o perdão a si e aos outros.

Conteúdos

a) Auto-conhecimento, estima, confiança e história pessoal.

b) Pessoa humana.

c) Medos, complexos, sofrimento, solidão, conflitos pessoais

d) Sexualidade e afetividade

e) Doenças e deficiências

f) Escola, trabalho, família

g) Textos bíblicos que iluminam a realidade ou situação refletida.

  Meios

a) Contatos pessoais através de visitas, telefonemas, testemunhos de vida.

b) Autobiografia

c) Encontros pessoais e em grupos pequenos, independente de reuniões.

d) Encontros e lazer.

SEGUNDA ETAPA – (Médio Prazo)

Significa todo o processo de integração

Objetivo Geral

          Oferecer condições para que cada pessoa e especialmente o portador de doença e/ou deficiência assuma um processo de integração e reintegração na família, na escola, na comunidade, no trabalho, no lazer, na Igreja, como um todo, e pela integração grupal, desperte relações fraternas, capacidade de análise da realidade, buscando seu desenvolvimento e sua realização como pessoa.

Objetivos específicos

a) Aprofundar relações grupais, a escuta, o diálogo, o respeito ao diferente.

b) Cultivar relações de igualdade e valorização mútua.

c) Cultivar o sentimento de pertença e de corresponsabilidade na FCD.

d) Conhecer a realidade sócio-política-econômica-ideológica e posicionar-se criticamente.

e) Despertar para as questões comuns e unir interesses.

f) Desenvolver a consciência  e a participação política.

g) Desenvolver o exercício da cidadania, como pessoa e grupo, sendo capaz de lutar pelos seus direitos.

h) Conhecer e respeitar as diferenças religiões e participar na própria comunidade de Fé.

i) Conhecer e aprofundar a mística e os objetivos da FCD.

j) Superar as fontes geradoras de dependência (todo paternalismo, dolorismo e pietismo)

l) Conhecer e vivenciar dinâmicas de grupos.

·         Participação política: Juntos lutar por espaço e capacitação no trabalho, na escola, no lazer, nas igrejas,  comunidade e sociedade;

·         Buscar a superação das barreiras arquitetônicas;

·         Lutar pelos direitos à alimentação, moradia, reabilitação, saúde e educação;

·         Conquistar meios de locomoção e transporte;

·         Integrar-se com outros grupos afins.

m) Incentivar a escolarização e a profissionalização dos portadores de deficiências.

n) Incentivar a participação nos núcleos.

o) Aprofundar a sexualidade e  afetividade.

p) Aprofundar a luta contra preconceitos de toda ordem.

q) Despertar o senso crítico sobre os meios de comunicação social.

Conteúdos

a) Características, originalidade – proposta da FCD.

b) História – organização e dinâmica do funcionamento.

c) Religião – religiosidade – igrejas (práticas, ritos, história).

d) Ecumenismo.

e) Fundamentação Bíblica e outros referenciais religiosos.

f) Política – níveis – formas de organização.

g) Realidade sócio-política-econômica.

h) Análise de conjuntura.

i) Processo histórico-político brasileiro

j) Legislação, direitos e deveres.

Meios

a) Os indicados na primeira etapa e mais.

b) Seminários, encontros –fórum e discussão – cursos – retiros.

c) Trabalhos em grupo – sociodrama, teatro.

d) Papelógrafo, cochicho, retiro, júri simulado.

e) Participação em outros movimentos.

f) Meios e comunicação social

TERCEIRA ETAPA – (Longo Prazo)

Ideal que move e dá sentido à vida

Objetivo Geral

          Ajudar a pessoa portadora de doença ou deficiência a engajar-se com profunda motivação pela causa e proposta da FCD, para que chegue a descobrir-se e situar-se com compromisso na militância pela transformação da atual sociedade e construção de um mundo de justiça, paz e fraternidade.

Objetivos Específicos

a) Aprofundar a Mística do Movimento, a consciência e o compromisso político.

b) Vivenciar dinâmicas que antecipem as relações da Nova Sociedade.

c) Cultivar a militância e o compromisso com ações transformadoras.

d) Criar espaços individuais e coletivos para a interiorização.

e) Criar  espaços para celebrar a vida ando lugar a festas e ao lúdico, à confraternização e a  convivência.

f) Cultivar relações autênticas, sinceras, honestas e gratuitas.

g) Praticar a correção fraterna e viver o perdão.

h) Incentivar a difusão da FCD.

i) Articular-se com os Movimentos de Libertação.

Conteúdos

a) Temas específicos de acordo com o crescimento e comprometimento dos fraternistas.

b) Temas concernentes à realidade histórica do Movimento, comunidade, sociedade – respondendo às necessidades.

Meios

·       Mencionados nas duas etapas anteriores e outros que possibilitem executar as ações ou atividades presentes ou necessárias.

 

FERRAMENTAS PARA AS TRÊS ETAPAS

 

a) Documento Base.

b) Mensagem do fundador – Biografia.

c) Livros: 10 Fraternos anos e Limitados mas vivos.

d) Cartilha: Novo Caminho.

e) Guia de Deficiências e Reabilitação Simplificadas  (CORDE).

f) Bíblia e outros referenciais religiosos.

g) Cartas Abertas.

h) Constituições Federal e estadual e Lei Orgânica do Município.

i) Livros que retratam a história e a situação do povo.

j) Recursos audiovisuais.

l) Fotos.

m) Assuntos de entidades ecumênicas.

n) Jornais: Exemplo: Contexto Pastoral (Ecumênico)

o) Jornais de PPD.

p) Revistas (Tempo e Presença, Sem Fronteiras, etc).

Norma ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas)

 

AVALIAÇÃO

          A avaliação faz parte de uma prática reflexiva e coerente, devendo estar presente em todos os níveis do processo de formação da Frater, com o devido espaço aos fraternistas enquanto sujeitos pensantes, agentes de transformação social. Segundo Luckesi: “...a avaliação poderia ser compreendida como uma crítica do percurso de uma ação, seja ela curta, seja prolongada. Enquanto planejamento dimensiona o que se vai construir, a avaliação subsidia essa construção, porque fundamenta novas decisões.

Para avaliação do processo de formação e caminhada da Frater considerar-se-á:

a) Discussões em pequenos e grandes grupos em reuniões ou assembléias;

b) Reflexões sobre planos, planejamentos e projetos de interesse;

c) Análise da problemática que se apresenta no decorrer de percurso e convivência;

d) Sistematização escrita de todas as conclusões e deliberações, com os devidos encaminhamentos a quem compete.

DEFINIÇÕES DOS TERMOS

Considerações Gerais – (Introdução): É a primeira impressão que o leitor terá do trabalho, daí sua importância. Ela conterá uma visão geral do tema desenvolvido, de tal forma que o leitor possa fazer uma prévia avaliação do conteúdo. (UNOESC, Caderno Metodológicos 1, 1996:40).

Objetivos: O que se pretende, o que você se propõe com o desenvolvimento da pesquisa. Todo trabalho deve explicar os objetivos que podem ser gerais e específicos. (UNOESC, Caderno Metodológicos 1, 1996:34).

Conteúdo: Definições dos problemas fundamentais a serem respondidos pelo plano de formação da Frater. Conforme Luckesi: “...os conteúdos sócio-culturais, com sua respectivas metodologias, servem de suporte para o desenvolvimento de habilidades e hábitos, formando a personalidade dos educandos como sujeitos ativos, criativos; enfim, como cidadãos”.

Metodologia: Segundo o meio pelo qual se atinge determinado o fim que se deseja, Luckesi complementa que metodologia, aqui, está sendo entendida como concepção segundo a qual a realidade é abordada. Esta é uma compreensão teórica do método, porém, há também uma compreensão técnica do método, que também atravessa os conteúdos. Por exemplo, o modo de extrair a raiz quadrada nas operações matemáticas, (...), são modos técnicos de agir que estão dentro do próprio conteúdo que se ensina. Em nosso caso, por exemplo: os procedimentos, na coordenação de uma reunião, na realização de uma visita, etc.

·                 Mística:

·                 Celebração:

·                 Espiritualidade:

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Acessibilidade de pessoas portadoras de deficiência a edificações, espaço mobiliários e equipamento urbano, NBR 9050. Rio de Janeiro; 1994.

BÍBLIA, Português;  Bíblia Sagrada. Trad. Centro Bíblico Católico, 49ª  Ed. Ver. São Paulo: Ave Maria, 1985.

BRASIL, Constituição, República Federativa do Brasil. Brasília: Ministério da Educação, 1988.

CADERNOS METODOLÓGICOS. Chapecó: UNOESC, 1996.

CARTAS ABERTAS. São Paulo: FCD *. [s.d.] * (ou o da publicação).

FRATERNIDADE CRISTÃ DE DOENTES E DEFICIENTES – FCD. Documento Base, 2ª Ed. São Paulo [s.d.]

FREIRE,  Paulo. A importância do ato de ler. 30ª Ed. São Paulo: Cortez, 1995.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar. São Paulo: Cortez,  1995.

MOCHCOVITCH, Luna Galano. Gramsci e a escola. 3ª Ed. São Paulo: Ática, 1992.

VASCONCELOS, Celso dos Santos. Planejamento. São Paulo: Libertad, [s.d.].

OBS.: Bibliografias com referências insuficientes para a devida ordenação ou diversificadas conforme a realidade estadual e municipal:

-        Constituições estaduais e leis orgânicas municipais;

-        Livros que retratam a história e situação do povo;

-        Fotos e vídeo da FCD;

-        Mensagens de Pe. François;

-        10 Fraternos Anos;

-        Limitados mas Vivos;

-        Cartilha Novo Caminho;

-        Guia de Deficiências e Reabilitação Simplificada da CORDE;

-        Outros referenciais religiosos.