DIRETRIZES
PARA A FORMAÇÃO
A NÍVEL NACIONAL
Aprovadas
na X Assembléia Nacional
CONSIDERAÇÕES
GERAIS
Os grandes desafios que se apresentam neste final de século e milênio à humanidade estão presentes na vida da FCD, quer seja no compromisso cotidiano de cada fraternista na luta pela cidadania e garantia das políticas, necessidades básicas de alimentação, moradia, saúde e educação, quer seja nos trabalhos e mobilizações mais amplas a nível da conjuntura e estrutura sócio-econômica e política do país.
Neste contexto é prioridade a formação da consciência crítica, do intelectual orgânico em cada fraternista, para termos um a base, um movimento popular conseqüente e transformador, entendendo-se que isso passa por um sério e bem articulado processo de formação, no qual a presente diretriz está comprometida.
Estas diretrizes são o resultado da sistematização das contribuições dos comitês, Sul, Sudeste e Centro Oeste, Norte e Nordeste, da Assembléia Latino Americana, dos Encontros Nacionais de Formação e da X Assembléia Nacional. Este documento é um instrumento de trabalho, para ser discutido e subsidiar os representantes das Estaduais, a fim de elaborarem seu plano de formação adaptando-o à realidade local.
Apresentar-se-á aos fraternistas uma proposta de questões fundamentais que não podem deixar de conter o processo de formação da FCD do Oiapoque ao Chuí.
OBJETIVO GERAL
Proporcionar
condições para cada um dos fraternistas superar seus conflitos pessoais, na
descoberta de seus valores, despertar para a consciência coletiva, solidária e
de forma participativa assumirem o processo de sua história como cidadãos e
agentes de transformação, contribuindo para a sua libertação humana e
transcendente. (Objetivo elaborado no VII Encontro Nacional de Formação – São
Paulo)
METODOLOGIA
a) Em todo processo formativo utilizar-se-á de uma METODOLOGIA participativa e dialética (Popular). (Observação: Pode-se colocar em anexo as características desta metodologia).
b) A formação desenvolver-se-á em três etapas – a
curto, médio e longo prazo – cada um com um objetivo geral, desdobrado
d) Querer viver e buscar a CONSCIENTIZAÇÃO desses objetivos em todas as circunstâncias da vida.
e) Estabelecer parcerias com grupos e movimentos afins.
f) Em todos os níveis do processo incluir espaços de avaliação e celebração.
g) Para quem já atua na
Frater, esses objetivos interagem e se sustentam mutuamente.
PRIMEIRA ETAPA – (Curto Prazo)
Significa os primeiros passos de quem se integra na FCD
Colaborar com cada pessoa, e especialmente com os portadores de doenças e/ou deficiências, a realizar um encontro consigo mesmo, a reconhecer e a aceitar sua realidade e despertar o amor e a valorização de si mesmo e dos demais.
Objetivos Específicos
a) Conhecer-se, desenvolver a auto-estima e a auto-confiança.
b) Descobrir seus limites, complexos, valore e potencialidades.
c) Aprender a valorizar-se e valorizar a família e as demais pessoas.
d) Aprender a lidar coma doença e com as deficiências.
e) Animar-se no desejo de viver pela amizade, amor e compreensão, aprofundando e cultivando relações com a família e a comunidade, que possibilitem a integração.
f) Buscar a integração sexual e afetiva no conjunto das relações.
g) Iniciar na Mística e na Espiritualidade do Movimento.
h) Cultivar o perdão a si e aos outros.
a) Auto-conhecimento, estima, confiança e história pessoal.
b) Pessoa humana.
c) Medos, complexos, sofrimento, solidão, conflitos pessoais
d) Sexualidade e afetividade
e) Doenças e deficiências
f) Escola, trabalho, família
g) Textos bíblicos que iluminam a realidade ou situação refletida.
Meios
a) Contatos pessoais através de visitas, telefonemas, testemunhos de vida.
b) Autobiografia
c) Encontros pessoais e em grupos pequenos, independente de reuniões.
d) Encontros e lazer.
SEGUNDA ETAPA – (Médio Prazo)
Oferecer condições para que cada pessoa e especialmente o portador de doença e/ou deficiência assuma um processo de integração e reintegração na família, na escola, na comunidade, no trabalho, no lazer, na Igreja, como um todo, e pela integração grupal, desperte relações fraternas, capacidade de análise da realidade, buscando seu desenvolvimento e sua realização como pessoa.
Objetivos específicos
a) Aprofundar relações grupais, a escuta, o diálogo, o respeito ao diferente.
b) Cultivar relações de igualdade e valorização mútua.
c) Cultivar o sentimento de pertença e de corresponsabilidade na FCD.
d) Conhecer a realidade sócio-política-econômica-ideológica e posicionar-se criticamente.
e) Despertar para as questões comuns e unir interesses.
f) Desenvolver a consciência e a participação política.
g) Desenvolver o exercício da cidadania, como pessoa e grupo, sendo capaz de lutar pelos seus direitos.
h) Conhecer e respeitar as diferenças religiões e participar na própria comunidade de Fé.
i) Conhecer e aprofundar a mística e os objetivos da FCD.
j) Superar as fontes geradoras de dependência (todo paternalismo, dolorismo e pietismo)
l) Conhecer e vivenciar dinâmicas de grupos.
· Participação política: Juntos lutar por espaço e capacitação no trabalho, na escola, no lazer, nas igrejas, comunidade e sociedade;
· Buscar a superação das barreiras arquitetônicas;
· Lutar pelos direitos à alimentação, moradia, reabilitação, saúde e educação;
· Conquistar meios de locomoção e transporte;
· Integrar-se com outros grupos afins.
m) Incentivar a escolarização e a profissionalização dos portadores de deficiências.
n) Incentivar a participação nos núcleos.
o) Aprofundar a sexualidade e afetividade.
p) Aprofundar a luta contra preconceitos de toda ordem.
q) Despertar o senso crítico sobre os meios de comunicação social.
a) Características, originalidade – proposta da FCD.
b) História – organização e dinâmica do funcionamento.
c) Religião – religiosidade – igrejas (práticas, ritos, história).
d) Ecumenismo.
e) Fundamentação Bíblica e outros referenciais religiosos.
f) Política – níveis – formas de organização.
g) Realidade sócio-política-econômica.
h) Análise de conjuntura.
i) Processo histórico-político brasileiro
j) Legislação, direitos e deveres.
a) Os indicados na primeira etapa e mais.
b) Seminários, encontros –fórum e discussão – cursos – retiros.
c) Trabalhos em grupo – sociodrama, teatro.
d) Papelógrafo, cochicho, retiro, júri simulado.
e) Participação em outros movimentos.
f) Meios e comunicação social
TERCEIRA ETAPA – (Longo Prazo)
Ideal que move e dá sentido à vida
Ajudar a pessoa portadora de doença ou deficiência a engajar-se com profunda motivação pela causa e proposta da FCD, para que chegue a descobrir-se e situar-se com compromisso na militância pela transformação da atual sociedade e construção de um mundo de justiça, paz e fraternidade.
a) Aprofundar a Mística do Movimento, a consciência e o compromisso político.
b) Vivenciar dinâmicas que antecipem as relações da Nova Sociedade.
c) Cultivar a militância e o compromisso com ações transformadoras.
d) Criar espaços individuais e coletivos para a interiorização.
e) Criar espaços para celebrar a vida ando lugar a festas e ao lúdico, à confraternização e a convivência.
f) Cultivar relações autênticas, sinceras, honestas e gratuitas.
g) Praticar a correção fraterna e viver o perdão.
h) Incentivar a difusão da FCD.
i) Articular-se com os Movimentos de Libertação.
a) Temas específicos de acordo com o crescimento e comprometimento dos fraternistas.
b) Temas concernentes à realidade histórica do Movimento, comunidade, sociedade – respondendo às necessidades.
· Mencionados nas duas etapas anteriores e outros que
possibilitem executar as ações ou atividades presentes ou
necessárias.
a) Documento Base.
b) Mensagem do fundador – Biografia.
c) Livros: 10 Fraternos anos e Limitados mas vivos.
d) Cartilha: Novo Caminho.
e) Guia de Deficiências e Reabilitação Simplificadas (CORDE).
f) Bíblia e outros referenciais religiosos.
g) Cartas Abertas.
h) Constituições Federal e estadual e Lei Orgânica do Município.
i) Livros que retratam a história e a situação do povo.
j) Recursos audiovisuais.
l) Fotos.
m) Assuntos de entidades ecumênicas.
n) Jornais: Exemplo: Contexto Pastoral (Ecumênico)
o) Jornais de PPD.
p) Revistas (Tempo e Presença, Sem Fronteiras, etc).
Norma
ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas)
AVALIAÇÃO
A avaliação faz parte de uma prática reflexiva e coerente, devendo estar presente em todos os níveis do processo de formação da Frater, com o devido espaço aos fraternistas enquanto sujeitos pensantes, agentes de transformação social. Segundo Luckesi: “...a avaliação poderia ser compreendida como uma crítica do percurso de uma ação, seja ela curta, seja prolongada. Enquanto planejamento dimensiona o que se vai construir, a avaliação subsidia essa construção, porque fundamenta novas decisões.
Para avaliação do processo de formação e caminhada da Frater considerar-se-á:
a) Discussões em pequenos e grandes grupos em reuniões ou assembléias;
b) Reflexões sobre planos, planejamentos e projetos de interesse;
c) Análise da problemática que se apresenta no decorrer de percurso e convivência;
d) Sistematização escrita de todas as conclusões e deliberações, com os devidos encaminhamentos a quem compete.
DEFINIÇÕES DOS TERMOS
Considerações Gerais – (Introdução): É a primeira impressão que o leitor terá do trabalho, daí sua importância. Ela conterá uma visão geral do tema desenvolvido, de tal forma que o leitor possa fazer uma prévia avaliação do conteúdo. (UNOESC, Caderno Metodológicos 1, 1996:40).
Objetivos: O que se pretende, o que você se propõe com o desenvolvimento da pesquisa. Todo trabalho deve explicar os objetivos que podem ser gerais e específicos. (UNOESC, Caderno Metodológicos 1, 1996:34).
Conteúdo: Definições dos problemas fundamentais a serem respondidos pelo plano de formação da Frater. Conforme Luckesi: “...os conteúdos sócio-culturais, com sua respectivas metodologias, servem de suporte para o desenvolvimento de habilidades e hábitos, formando a personalidade dos educandos como sujeitos ativos, criativos; enfim, como cidadãos”.
Metodologia: Segundo o meio pelo qual se atinge determinado o fim que se deseja, Luckesi complementa que metodologia, aqui, está sendo entendida como concepção segundo a qual a realidade é abordada. Esta é uma compreensão teórica do método, porém, há também uma compreensão técnica do método, que também atravessa os conteúdos. Por exemplo, o modo de extrair a raiz quadrada nas operações matemáticas, (...), são modos técnicos de agir que estão dentro do próprio conteúdo que se ensina. Em nosso caso, por exemplo: os procedimentos, na coordenação de uma reunião, na realização de uma visita, etc.
· Mística:
· Celebração:
· Espiritualidade:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Acessibilidade de pessoas portadoras de deficiência a edificações, espaço mobiliários e equipamento urbano, NBR 9050. Rio de Janeiro; 1994.
BÍBLIA, Português; Bíblia Sagrada. Trad. Centro Bíblico Católico, 49ª Ed. Ver. São Paulo: Ave Maria, 1985.
BRASIL, Constituição, República Federativa do Brasil. Brasília: Ministério da Educação, 1988.
CADERNOS METODOLÓGICOS. Chapecó: UNOESC, 1996.
CARTAS ABERTAS. São Paulo: FCD *. [s.d.] * (ou o nº da lª publicação).
FRATERNIDADE CRISTÃ DE DOENTES E DEFICIENTES – FCD. Documento Base, 2ª Ed. São Paulo [s.d.]
FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 30ª Ed. São Paulo: Cortez, 1995.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar. São Paulo: Cortez, 1995.
MOCHCOVITCH, Luna Galano. Gramsci e a escola. 3ª Ed. São Paulo: Ática, 1992.
VASCONCELOS, Celso dos Santos. Planejamento. São Paulo: Libertad, [s.d.].
OBS.: Bibliografias com referências insuficientes para a devida ordenação ou diversificadas conforme a realidade estadual e municipal:
- Constituições estaduais e leis orgânicas municipais;
- Livros que retratam a história e situação do povo;
- Fotos e vídeo da FCD;
- Mensagens de Pe. François;
- 10 Fraternos Anos;
- Limitados mas Vivos;
- Cartilha Novo Caminho;
- Guia de Deficiências e Reabilitação Simplificada da CORDE;
- Outros referenciais religiosos.