Os cuidados que devem ser tomados na hora do sono para evitar que pessoas com deficiência física possam adquirir escaras
Após um longo dia de trabalho ou
estudo, nada como deitar o corpo sobre a cama e relaxar. Mas, para as
pessoas com mobilidade reduzida, esse momento exige cuidados. Afinal,
sem movimentar parte do corpo durante o sono, as pessoas com deficiência
correm o risco de sofrer as temidas úlceras de pressão, mais
conhecidas como escaras.
O problema surge com a pressão contínua
do peso do corpo imóvel sobre o colchão, que interrompe o fluxo sangüíneo
no tecido da pele, tornando-a vulnerável à formação das escaras. Em
um primeiro momento, a pele fica vermelha, progredindo para a coloração
roxa e terminando na formação de bolhas e feridas. O processo de
surgimento da escara é rápido, mas a cura pode demorar meses (sem
contar a cicatriz que marcará a pele para sempre). Para evitar essas
feridas de difícil cicatrização, existem várias respostas que,
combinadas, garantem uma pele saudável.
O ideal seria contar com alguém para
auxiliar durante o sono, evitando que o corpo fique inerte por muito
tempo. A dica dos especialistas é trocar de posição a cada quatro
horas em média. Mas essa solução nem sempre é possível,
principalmente para quem mora sozinho e tem sono pesado. Se você é
daqueles que preferem dormir de lado, aconselha-se colocar um
travesseiro na cabeça e outro menor entre as pernas, para atenuar o
atrito causado pelo peso de uma perna sobre a outra.
Outro fator decisivo está na escolha
do colchão onde o corpo repousará durante a noite (ver abaixo Escolhendo
o melhor colchão).
Cuidados
A higiene pessoal também é muito
importante na hora de dormir. Para aqueles que sofrem com incontinência,
é imprescindível manter a pele sempre limpa para evitar o atrito e a
acidez de urina e fezes.
A regra é a mesma para o suor, por
isso o quarto de dormir deve ser bem ventilado e fresco, já que pele
saudável não combina com umidade excessiva.
Na hora que acordar, o ideal é fazer
uma massagem nos locais onde mais se formam escaras, como as nádegas e
a região lombar. A massagem deve ser realizada com cuidado, passando
creme hidratante em movimentos circulares para aumentar o fluxo sangüíneo.
Outro cuidado que não pode ser
deixado de lado é o controle do peso. Com a mobilidade reduzida, não são
poucos os que costumam ganhar uns quilos a mais. Entretanto, o peso é o
principal responsável pela pressão do corpo contra o colchão. Dieta
eqüilibrada e exercícios regulares ajudam a manter a forma e, com
certeza, marcarão pontos positivos na hora de contar carneirinhos
durante a noite. Bons sonhos.
Escolhendo o melhor colchão
No processo de reabilitação, a
escolha do modelo de colchão ideal é fundamental. Nesta hora, a
tecnologia também está presente para auxiliar os profissionais de saúde.
O X-Sensor, um sistema de mapeamento
digital e tridimensional dos pontos de pressão, é o melhor exemplo de
ferramenta tecnológica nesse difícil processo de escolha.
Na Cavenaghi, a pessoa com deficiência
é recebido pela equipe de terapeutas ocupacionais que passa a realizar
exames para avaliar os pontos de pressão do corpo nos diversos modelos
de colchão, tudo isso com auxílio do X-Sensor.
A partir desse diagnóstico, o
portador de deficiência terá a certeza de que o modelo de colchão
escolhido será o mais indicado para a sua necessidade.
Colchões high-tech
Não faz muito tempo que a única
solução de colchão para as pessoas com mobilidade reduzida era o
famoso colchão "casca de ovo". Feitos de espuma e com
cavidades, o casca de ovo é considerado melhor que o colchão
tradicional para quem possui deficiência e até hoje são os mais freqüentes
nos hospitais da rede pública. Porém, esse tipo de colchão tem pontos
negativos, como a dificuldade de limpeza (principalmente para os
pacientes com incontinência)
Graças ao avanço tecnológico, hoje
existe uma infinidade de colchões inteligentes, aptos a atender às
mais diferentes necessidades. A linha norte-americana da Roho, por
exemplo, oferece uma ampla variedade de colchões, todos fabricados com
materiais antialérgicos e que reduzem o atrito. A tecnologia "Dry
Flotation", por exemplo, exclusiva da marca, assegura que os pontos
de pressão do corpo contra o colchão mudem constantemente, o que evita
a formação de escaras. A garantia do produto é de dois anos, mas bem
conservado o colchão pode durar até dez anos.
Os colchões da Roho, fabricados em
neoprene de uso medicinal, contam ainda com outra vantagem: são
facilmente laváveis com água e sabão, secando em poucas horas. Eles
estão disponíveis no Brasil na Cavenaghi.
Fonte: http://www.saci.
(Notícia publicada no boletim Qualità, ano 10, edição 54 - outubro/2006)
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Maria Isabel da Silva
Jornalista/Assisten Divisão de Medicina de Reabilitação DMR HC Faculdade de Medicina da USP (11) 5549.0111 ramal 221 e 9212.1682 www.hcnet.usp. |