Sexualidade: do nascimento até a morte Vida em Plenitude

Do nascimento até a morte passamos por sucessivas etapas em nossas vidas: Infância, adolescência, vida adulta e velhice. Durante estas etapas chamadas de desenvolvimento sofremos inúmeras mudanças nos aspectos físicos (corpo), psicológicos (inteligência, sentimentos, emoções) e sociais (relacionamentos: pais, amigos, namoradas(os)). Assim, podemos dizer que o desenvolvimento é uma manifestação da vida.

Dentro desta manifestação da vida temos um outro aspecto importante que também nos acompanha do nascimento até a morte que é a nossa sexualidade.

Sexualidade que pode ser entendida como a expressão do instinto sexual. A sexualidade esta ligada ao prazer. São sensações, fantasias, desejos que fazem parte do ser humano e nos acompanham em todas as etapas da vida. Desta forma, a sexualidade, também é uma parte de nossas vidas.

A sexualidade está ligada a importantes sensações de nosso corpo, onde a pele é maior receptor destas sensações que são decodificadas pelo cérebro, percebidas como sensações de prazer.  Assim, a pele é o maior órgão sexual do corpo humano e o cérebro o mais importante órgão sexual do ser humano.

Se sexualidade está intimamente ligada ao prazer, fica clara sua importância em nossa vida, negá-la, é negar uma parte importante de nós mesmos.

Ainda é importante ressaltar outros dois elementos quando nos referimos à sexualidade: o sexo e afetividade. Embora ambos façam parte da sexualidade, o sexo não é a sexualidade que no contexto aqui apresentado tem uma abrangência muito maior. Sexo, portanto, tem o caráter de instinto biológico primário cuja função é a reprodução da espécie. Já a afetividade nos reporta a dimensão relacional, do erotismo, da erotização e da busca pelo prazer, inclusive sexual.

Vivemos em uma sociedade que estabelece regras, padrões de conduta que vão produzir permissões ou proibições. No que se refere ao exercício de nossa sexualidade, também não é diferente. 

Embora existam diferenças entre homens (racionais) e mulheres (emocionais) ambos são bombardeados por modelos idealizados por uma sociedade de consumo, que transforma em objeto de desejo corpos com padrão de beleza e estética pré-determinados. E quem não se enquadra neste modelo?  Resta o ostracismo e a exclusão.

No geral, as pessoas buscam ser igual ao modelo È necessário romper esta camisa de força social e buscar um significado de beleza que pode variar de pessoa para pessoa.

Descobrir que viver sua expressão de pessoa humana depende apenas do quanto ele ou ela se vê como pessoa humana, dotado de toda potencialidade que a dimensão do humano dá a todos, indistintamente. Neste sentido, também a sexualidade é uma potencialidade da dimensão do humano e, poder viver sua plenitude, também depende do quanto nos vemos dentro ou fora desta dimensão.

Importante se faz que tomemos consciência de viver nossa sexualidade. É mais que um direito, é uma necessidade que permeia nossas vidas, negá-la é negar uma parte inerente de nós mesmos.

A seguir alguns elementos que podem contribuir para que possamos expressar de forma autêntica nosso direito a vivermos nossa sexualidade como parte integrante de nossas vidas.

Que podemos fazer:

Conhecer o próprio corpo. Aprender a conhecer e cuidar dele; Buscar informações sobre a sexualidade;  Encarar a sexualidade sem culpa; Relacionar-se com respeito e responsabilidade; Reconhecer os diferentes tipos de atração (heterossexual, homossexual);

Escolher se quer ou não ter um(a) filho(a) e em que momento;  Buscar ajuda profissional quando necessário.

Nos relacionamentos:

Desenvolver relacionamentos significativos; Identificar e expressar seus sentimentos;

Usufruir de intimidade e prazer; Escolher, dentre suas possibilidades, modos de vida e de convivência; Responsabilizar-se pelas suas decisões; Considerar a comunicação uma forma importante de expressão no relacionamento; Poder trocar com o outro; ou seja, dar e receber;

Usufruir e expressar a própria sexualidade ao longo da vida; Discriminar comportamentos sexuais enriquecedores e/ou prejudiciais a si e aos outros; Reconhecer os próprios limites e desejos sexuais e respeitar os outros.

Na cultura e na sociedade:

Vencer tabus e preconceitos; Respeitar pessoas com valores sexuais e estilos de vida diferentes do seu; Defender o direito de todas as pessoas receberem informações sobre a sexualidade;  Evitar comportamento discriminatório e intolerante.

E assim, poder buscar caminhos para viver nossa sexualidade de forma a aumentar o prazer com o próprio corpo e estimular a comunicação. Tudo isso auxilia na construção de uma boa auto-imagem e melhora a auto-estima.

 

MARCO ANTONIO DOS SANTOS

Psicólogo

Especialista em Reabilitação – HC FMUSP